Responda rápido: o que têm
em comum os sites/serviços
GMail, BitTorrent, Delicious,
FlickR e YouTube, todos já
abordados em nossos
tutoriais? Acertou quem
respondeu que são
representantes célebres da
chamada Web 2.0, uma nova
encarnação da Internet que
tem recebido tanta atenção
da mídia e de investidores
que já começa a ser tratada
como uma segunda “bolha”.
É importante não confundir
Web 2.0 com a tão falada e
tão pouco vista Internet 2 –
a rede super-rápida que
interliga instituições
acadêmicas e governamentais
e eventualmente substituiria
a infraestrutura atual. A
Internet 2 é isso:
infra-estrutura. A Web 2.0 é
um conceito, uma série de
princípios que definem um
novo tipo de site, de
serviço, de experiência
online.
A origem do termo remonta a
2004, quando representantes
da editora O'Reilly e da
promotora de eventos
MediaLive realizaram uma
sessão de “brainstorming”
para conceber um congresso
sobre Internet. Dale
Dougherty, vice-presidente
da O'Reilly, teria então
saído com a idéia da Web
2.0. A primeira conferência,
realizada em outubro daquele
ano, foi um sucesso – assim
como as edições de 2005 e
2006. Mas o que “pegou”
mesmo foi o nome, que já
aparece mais de 100 milhões
de vezes no Google!
“A rede é o computador”
A primeira definição do que
seria a Web 2.0 dizia que
ela é “a web como
plataforma”. Em outras
palavras, que os programas
passam a rodar na própria
Internet (na verdade, nos
servidores das empresas que
os desenvolveram), e não
mais nos computadores dos
internautas. Quem abandonou
o Outlook Express ou
equivalente depois que
começou a usar o Gmail sabe
do que estamos falando.
O já mencionado serviço de
armazenamento remoto de
listas de favoritos Del.icio.us
é um exemplo ainda melhor:
em vez de guardar seus
bookmarks no navegador, ele
os armazena nos servidores
da empresa, tornando-os
disponíveis em qualquer
computador do mundo
conectado à Internet. Em
2004, só isso bastaria para
que fosse classificado como
um produto Web 2.0.
Quase um ano depois da
realização da primeira
conferência, no entanto, Tim
O'Reilly, presidente da
empresa que leva seu
sobrenome, publicou um
artigo que expande o
conceito de Web 2.0. O
texto é, até hoje, o
primeiro resultado que o
Google apresenta quando
buscamos pela expressão “Web
2.0”.
Nele, Tim lista exemplos de
tecnologias e ferramentas da
Web tradicional e suas
equivalentes na Web 2.0.
Ficando apenas com os mais
conhecidos do internauta
amador, temos exemplos como
as duplas Ofoto e FlickR,
mp3.com e Napster,
Britannica Online e
Wikipedia e sites pessoais e
blogs – onde o primeiro é
sempre Web 1.0 e o segundo,
2.0.
Questão de princípios
Todos os exemplos listados
acima permitem bastante
participação dos usuários.
Etiquetando e comentando
fotos no FlickR, sendo eles
mesmos os repositórios de
músicas no finado Napster,
escrevendo e editando os
verbetes da Wikipedia e
alimentando seus blogs com
links para outros blogs,
onde também podem deixar
comentários.
A possibilidade dos usuários
adicionarem valor é apenas
um dos oito padrões de
desenvolvimento Web 2.0 que
Tim listou. O fato do valor
da participação do usuário e
dos “efeitos de rede” serem
acumulado “por default”, sem
que necessariamente nos
demos conta, é um segundo
ponto. A cooperação entre os
próprios serviços,
permitindo a criação dos
chamados “mashups”, é um
terceiro, e a geração de
grandes bancos de dados que
podem alimentar tanto os
seus serviços, quanto os dos
outros, é o quarto.
Os serviços da nova Web
devem também contemplar a
“Cauda Longa” (pequenos
nichos de mercado que,
juntos, representam um
enorme volume), ser pouco
restritivos nas licenças
aplicadas ao seu conteúdo,
oferecer software que rode
em mais de uma plataforma e
atualizar constantemente os
programas, que jamais
deixariam a “versão beta”. É
só analisar os exemplos que
listamos no primeiro
parágrafo para concluir que
quase tudo isso está
presente em cada um deles.
Se a definição original da
Web 2.0 lhe parecer muito
simplista e a lista de
princípios de Tim O'Reilly,
muito complicada, talvez dê
para resumir o conceito
pelas palavras do
programador Paul Graham. Num
artigo publicado no fim de
2005, Graham enumerou três
pontos que, em sua opinião,
definiam a Web 2.0: Ajax (Asynchronous
Javascript and XML, sobre a
qual já falamos aqui),
democracia e “não maltrate
os usuários”. Nós, usuários,
agradecemos!