Smartcards

Introdução


A Tecnologia da Informação está evoluindo com uma rapidez impressionante. Computadores pessoais, notebooks, hand helds e telefones celulares estão nas mão de milhões de pessoas ao redor do mundo. Da mesma forma, o interesse na tecnologia Smart Card tem crescido a uma taxa elevada nos últimos anos. O número e a variedade de aplicações baseadas em Smart Card em diversos setores vêm demonstrando a importância e a consolidação dessa tecnologia.

Entre os fatores que levaram ao crescimento do interesse nessa tecnologia incluem-se o declínio no seu custo de fabricação e a crescente preocupação com a limitação dos cartões de tarja magnética para evitar as fraudes bancárias e as brechas de segurança nos sistemas em que são utilizados.

Na linha de evolução dos Smart Card encontramos as e-TAGs (etiquetas eletrônicas), que vêm demonstrando seu enorme potencial na codificação eletrônica de produtos. Uma aplicação que representa um avanço no atendimento ao cliente e na logística de mercadorias.

Esse trabalho vem apresentar as tecnologias que estão por trás dos Smart Cards e das e-TAGs e as suas principais áreas de aplicação.

 

O Smart Card

O Smart Card, ou Cartão Inteligente, é um cartão de plástico, semelhante a um cartão de crédito, com um microchip embutido na superfície. O conceito de Smart Card foi patenteado pelo Dr. Kunitaka Arimura no Japão em 1970.
 


 

Fig. 1 - Smart Card

A história do Smart Card começou simultaneamente ao desenvolvimento da tecnologia de chips nos últimos 40 anos. Durante esse período, os cartões de identificação comuns (baseados em tarja magnética, código de barras, etc) evoluíram, dando lugar a uma nova classe: os ICCs (Integrated Circuit Cards - Cartões com Circuitos Integrados). Em 1974, Roland Moreno na França arquivou a patente original de cartões com circuitos integrados, mais tarde generalizadamente intitulados Smart Cards.

 

Tipos de Smart Card

Embora existam muitos tipos, qualquer Smart Card pode ser classificado quanto à forma de conexão com a leitora que é:

- Por contato físico;
- Sem contato físico.

Por contato físico entende-se a inserção do cartão na leitora, onde os contatos dos terminais do cartão com os da leitura, permitem a troca de dados entre ambos. É importante salientar que todos Smart Cards possuem terminais para este tipo de conexão.

A segunda classe se refere aos cartões que não necessitam de contato físico com a leitora, o que indica que a conexão é feita através de ondas eletromagnéticas. A ausência do ato inserção traz benefícios como economia de tempo e não desgaste dos terminais do cartão.

Por serem muito mais baratos, os cartões por contato ainda são os mais utilizados, oferecendo um nível razoável de segurança e abrangendo uma ampla gama de aplicações. Os cartões por contatos são também chamados Memory Cards ou Cartões Memória.

Os Smart Cards que não fazem uso de contato físico são tipicamente Microprocessor Cards ou Cartões Microprocessados. Embora não seja do escopo dos cartões de identificação, a modalidade de transmissão sem contato permite que o cartão propriamente dito seja apenas um portador do chip. Isto é, a presença do chip em anéis, relógios, braceletes e tornozeleiras ainda não quebra o conceito Smart Card.


Características dos Smart Cards

Algumas das principais características dos Smart Cards.

Custo

A faixa de preço típica varia de US$2.00 a US$10.00. O custo aumenta a medida que maior capacidade de armazenagem e de processamento são acrescentados ao chip e esse custo diminui a medida que o volume de produção aumenta.

Confiabilidade

Vendedores garantem 10.000 ciclos de leitura/escrita. Os cartões devem atender as especificações da ISO (International Standards Organization) e passar por uma bateria de testes que abrangem: testes de torção, de flexibilidade, de desgaste, de concentração de carga, temperatura, umidade, eletricidade estática, ataque químico, ultra-violeta, raio X e testes de campo magnético.
 

Correção de Erro

O Sistema Operacional do Chip (COS - Current Chip Operating Systems) realiza seu próprio algoritmo de correção de erro. O sistema operacional do terminal deve checar os dois bytes de código de Status que o COS retorna após receber o commando do terminal (como definido na ISO 7816 Parte 4 e nos comandos proprietários). Dessa forma o terminal toma as ações corretivas necessárias.
 

Capacidade de Armazenamento

A memória mais usadas nos Smart Cards são as EEPROM(Electrically Erasable Programmable Read-Only Memory) que possuem capacidade de 8K - 128K bit. (1Kbits armazena algo em torno de 128 caracteres, o equivalente a uma frase de texto. Entretanto, com as modernas técnicas de compressão, a quantidade de informação armazenada em um Smart Card pode ser significativamente expandida).

Segurança

Smart cards são altamente seguros. As informações armazenadas no chip são difíceis de serem copiadas ou alteradas, ao contrário dos cartões de tarja magnética que podem ser facilmente clonados. O microprocessador e o co-processador do chip suportam criptografia, autenticação e assinatura digital para não-repúdio.

Capacidade de Processamento

Cartões mais antigos usavam um micro-controlador de 8-bits com clock de 16 MHz. Os cartões mais modernos utilizam um micro-controlador RISC de 32-bits rodando a um clock de 25 a 32 MHz, com um co-processador para a criptografia.

 

Memory Cards ou Cartões Memória

Do ponto de vista da aplicação, estes cartões por contato podem ser vistos como uma memória programável. Assim, as informações contidas no Smart Card podem ser apagadas e reescritas um sem-número de vezes. Esta característica faz destes cartões um bem "reciclável" quando comparados aos cartões magnéticos. As duas soluções mais comuns que empregam Memory Cards são: como cédulas de identificação em aplicações de nível de segurança não muito elevado e, como dinheiro eletrônico. Nesta última, o cartão é tido como descartável.

Embora existam diversas formas de disposição, o espaço de endereçamento da memória é linear, com possíveis faixas para uso relacionado à segurança.
Há no mercado atual, Memory Cards com capacidades que vão de 1 a 32 Kbits e recursos que abrangem criptografia. Essas inovações tecnológicas sucederam uma vertente dos Memory Cards, os Logic Cards (Cartões Lógicos).
A figura seguinte ilustra como é dividido o espaço linear de endereçamento em um Cartão Lógico (Gemplus GPM 8k).

 

Fig. 2 - Endereçamento em Smart Card Lógico


Assim, os 1024 bytes (8 Kbits) de memória deste cartão estão dispostos em três áreas:


- Área do fabricante, onde estão gravadas informações acerca do modo operacional do cartão, dados de identificação do fabricante, etc
- Área de aplicação, onde os dados da aplicação podem ser lidos ou escritos;
- Área de segurança, na qual são armazenados alguns dados que permitem que o cartão seja acessado somente pelo seu proprietário.

 

Smart Cards Microprocessados

Um Smart Card Microprocessado possui os principais elementos de um computador, como uma CPU (Central Processing Unit), um sistema de memórias e barramentos de entrada e saída. Um sistema operacional, gravado no cartão, permite que uma comunicação em alto nível possa ser estabelecida com a leitora a que está conectado.
 

O sistema de memórias do Smart Card Microprocessado possui 3 tipos de memórias: ROM (Read-Only Memory), EEPROM (Electrically Erasable Programmable Read-Only Memory) e uma pequena quantidade de RAM (Random Access Memory). A ROM é onde o sistema operacional do Smart Card é armazenado e não pode ser alterada. É na EEPROM que são armazenados os dados da aplicação, isto é, ela pode ser lida e escrita por aplicativos. Os dados presentes nessa memória podem permanecer, se não sobrescritos, por até 10 anos. Entretanto, a EEPROM possui 2 inconvenientes:


- Lentidão. Leva-se de 3 a 10 ms para se escrever nessa memória;
- Número de regravações. Pode chegar a no máximo 100.000 gravações.

A RAM, por ser escassa, é o recurso mais precioso do cartão do ponto de vista do desenvolvedor. Além disso, ela não é usada somente pela aplicação, mas também por rotinas operacionais.
Antigamente a CPU era um microcontrolador de 8 bits, tipicamente utilizando o conjunto de instruções dos chips Motorola 6805 ou Intel 8051 a um clock de 16 MHz. Atualmente ela é um microcontrolador RISC de 32 bits atingindo um clock de 25 a 32 MHz. As suas instruções manipulam também os endereçamentos de memória e dos registradores e operações de entrada e saída. Alguns fabricantes implantam instruções próprias para um uso específico.
 

A crescente demanda por criptografia, exige cada vez mais poder de processamento da CPU. Um processo de decriptação RSA 1024 bits, por exemplo, pode demorar até 10 segundos. Assim, alguns fabricantes imbutem co-processadores no cartão, a fim de acelerar esse serviço.

O canal de entrada e saída do Smart Card é serial e unidirecional. Isto significa que os bits passam um a um em um único sentido de fluxo por vez. O hardware do Smart Card permite velocidades de até 115.200 bps.

A comunicação entre o cartão e o software de aplicação é do tipo mestre (software) e escravo (cartão). O software envia comandos ao cartão e espera por uma resposta. O cartão nunca envia dados ao software exceto em resposta a um comando.

Os sistemas operacionais dos Smart Cards suportam dois tipos de transferência: por caractere ou por bloco. A transferência por caractere ocorre quando os dados são transferidos caractere a caractere até formar uma palavra. Já na transferência por bloco, são transmitidos quadros inteiros por vez, o que faz deste tipo de transferência mais complexo que o outro.



 

Fig. 3 - Elementos de um Smart Card

 

Processo de fabricação do Smart Card


O processo de manufatura de um Smart Card compreende 8 etapas distintas:


1. Fabricação de milhares de chips em uma única pastilha de silício (wafer). Cada chip tem a forma de um quadrado de aproximadamente 5 mm de lado (25 mm2 de área, portanto). Esse modelo de chip é repetido até preencher toda a pastilha de silício (totalizando de 3000 a 4000 unidades por pastilha), num processo a vácuo, onde são depositados materiais extremamente puros no substrato de silício.


Fig. 4 - Fabricação do chip


2. Empacotamento dos chips individuais para inserção dentro do cartão. Quando a pastilha está completa, cada chip é testado para verificar se está operacional. Cada chip aprovado é identificado através de uma marca física antes de a pastilha ser particionada. Uma vez que isto acontece, o chip é preso a uma lâmina de contatos, que possui fios de baixíssima bitola que conectam os terminais do chip a regiões específicas da lâmina. O resultado dessa união é chamado tecnicamente de módulo.



Fig. 5 – Módulo


 

3. Fabricação do cartão. O cartão em si é feito em PVC (PolyVinyl Choride) ou em ABS (Acrylonitrile Butadiene Styrene). Em PVC é possível criar formas em alto-relevo, porém este material não é reciclável; o ABS não é modelável em alto-relevo mas é reciclável. O material do cartão é produzido em larga escala e em produções massivas para um determinado cliente, pode-se imprimir algo na superfície, como por exemplo logotipos.

 

Fig. 6 - Medidas de um cartão de identificação

 

4. Inserção do chip no cartão. Preparados o chip e o molde de plástico, ambos são unidos através da cola do chip numa depressão feita no molde. Esta depressão é feita por desbaste ou derretimento do material e depois é embutida no módulo.
 

Fig. 7 - Inserção do módulo no molde


5. Pré-personalização. A maioria das aplicações Smart Card requerem que certos programas ou arquivos sejam instalados em cada cartão, antes que o mesmo seja personalizado e entregue ao usuário. Isso é feito nesta etapa, na qual a preparação do software do cartão é feita através do conector de I/O na superfície do cartão.


6. Personalização. Este processo envolve a gravação de informações como nomes e números relacionados ao usuário. Isto usualmente também envolve a escrita do PIN (Personal Identification Number) na memória, número que identifica o usuário com o cartão. A personalização envolve ainda a manipulação física do cartão; figuras e informações como nome e endereço podem ser impressas em sua superfície. A impressão também pode ser feita em alto-relevo para permitir que a informação seja passada a outros tipos de mídia (por exemplo, impressão de recibos de cartão de crédito).


7. Impressão no cartão. Esta etapa envolve a impressão gráfica e textual no Smart Card. A aparência do cartão geralmente reflete ambos estética e financeiramente o portador do cartão. Símbolos corporativos e logotipos constroem a imagem do portador e têm importante valor publicitário. Quando um cartão é utilizado na identificação pessoal, a foto da pessoa portadora juntamente com seu nome podem ser impressos. Em muitos cartões de propósito financeiro são impressos hologramas como mecanismos para evitar estelionato. Dependendo da informação a ser armazenada, vários processos de impressão podem ser empregados. Para cartões que possuem o mesmo design gráfico, como cartões telefônicos, a estampa pode ser feita antes da inserção do circuito integrado no molde; neste caso, a impressão é feita na manta plástica, antes de se extrair o molde.


8. Inicialização do programa contido no cartão. Finalmente são executados os programas que rodam no próprio cartão (se microprocessado), e, então, o Smart Card está disponível ao usuário final.

 Fonte: http://www.gta.ufrj.br/grad/04_2/smartcard/

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