

RFID é a sigla para Radio Frequency
Identification, ou Identificação por Radiofreqüência. Trata-se de uma
tecnologia em ascensão que foi desenvolvida pelo Massachussetts
Institute of Technology (MIT), nos EUA, e que utiliza ondas
eletromagnéticas para acessar dados armazenados em um microchip.
A solução é descendente da tecnologia dos transponders que foram
utilizados pelos ingleses na 2ª Guerra Mundial. O transponder ainda é
usado e funciona recebendo e transmitindo sinais quando uma “pergunta”,
em forma de pulso eletrônico, é feita. Quando foi utilizado na 2ª
Guerra, ele identificava os aviões da Royal Air Force (RAF – Força Aérea
Real). Assim, quando uma aeronave surgia no radar e não “respondia” com
seu transponder, ela era identificada como inimiga e abatida.
O RFID pode ser visto como um transponder muito mais barato e simples e
que por isso pode ser usado para identificar praticamente qualquer
coisa. Como um CPF ou RG, a parte de identificação do RFID é composta
por um conjunto de números. Cada chip tem um código eletrônico de
produto que é único (também conhecido como EPC – Electronic Product Code)
e que pode ser consultado por meio de antenas de radiofreqüência. Ou
seja, quando a etiqueta é colada em uma lata de refrigerante, uma
televisão, um cachorro ou uma pessoa, a etiqueta, ou tag, transmite a
informação para antenas com freqüência compatível e essas antenas ativam
o chip, eletronicamente, identificando o produto.
Leitor RFID modelo Cardman 5321 Dual Interface
Leitor RFID Contactless (sem contato e contato)
Igual ao código de barras?
Roberto Matsubayashi, gerente de soluções da GS1 Brasil – que discute a
padronização da tecnologia em todo o mundo – explica as diferenças entre
o RFID e o código de barras. “O código de barras define uma unidade de
estoque. Por exemplo, para todas as latas de 300g de massa de tomate há
um único código. Já no RFID cada etiqueta tem um EPC, ou um número único
– o que facilita o controle de estoque e o rastreamento dos produtos”,
detalha. Regiane Relva, professora universitária de Tecnologia da
Informação na Faculdade de Informática e Administração Paulista (FIAP),
completa: “O RFID pode resgatar qualquer informação vinculada a um
produto devidamente etiquetado com o chip”.
RFID no Brasil
Regiane Relva acrescenta que o baixo custo do RFID possibilita a
ampliação do número de aplicações da tecnologia. “O custo é
relativamente baixo, cerca de R$ 0,10 por chip etiquetado”, diz. No
Brasil, o sistema de cobrança de pedágio “Sem Parar” – que permite o
trânsito livre de veículos por pedágios e estacionamentos de shoppings –
utiliza a tecnologia RFID. O carro, quando passa, é identificado e ao
final do mês, o dono daquela identidade eletrônica recebe uma conta do
que foi consumido com a tal etiqueta.
E o RFID começa a ganhar espaço no varejo brasileiro. A Companhia
Brasileira de Distribuição (CDB), que faz parte do Grupo Pão de Açúcar (GPA),
e as empresas Gillette, Procter&Gamble, CHEP e Accenture realizaram um
projeto-piloto com o uso de RFID no Brasil. O Grupo Pão de Açúcar
participou com sua estrutura de distribuição, a Gillette e a Procter&Gamble
contribuíram com seus produtos. Já a CHEP e a Accenture ficaram com a
infra-estrutura e a consultoria tecnológica do projeto.
A primeira fase do projeto foi concluída em fevereiro de 2005 e durou
cinco meses. O projeto envolveu cerca de 1000 paletes, plataformas nas
quais são armazenadas as caixas dos produtos. Esses produtos receberam
etiquetas RFID e foram monitorados durante o processo de transporte da
área de armazenamento até as lojas do Grupo Pão de Açúcar. Ou seja,
nessa fase, não foi testado o uso do RFID em pontos-de-venda. "Esse
experimento será importante para o desenvolvimento gradual do mercado,
que precisa se preparar e se adequar com novas ferramentas para atender
as mudanças que esse conceito provocará na cadeia de suprimentos",
afirma Ney Santos, diretor de Tecnologia da CBD.
Todos os dados de controle de entrega foram armazenados em um aplicativo
comum aos participantes do projeto. Com isso, foi possível acompanhar o
ciclo dos pedidos, montar inventários em tempo real, inibir o roubo de
cargas, identificar em qual fase do processo de entrega houve danos aos
paletes e produtos e facilitar o planejamento da encomenda de novos
produtos. "Os custos para a implantação total desse novo sistema no país
são elevados, mas há de se buscar formas alternativas e criativas para
solucionar a questão", declara Santos.
RFID no Mundo
Em países como os EUA e a Alemanha, o RFID já é usado para controle de
estoque. “Com o uso dessas etiquetas, será possível registrar
automaticamente quando e o quê os consumidores selecionam nas gôndolas.
Assim, a solicitação para reposição imediata do produto comprado é feita
automaticamente. Isso reduz custos operacionais de administração de
estoques”, explica Regiane. Outra utilidade já dada às etiquetas é a
prevenção de furtos em lojas, shoppings e supermercados.
“A idéia é que os caminhões e as mercadorias possuam os tags. Assim será
possível rastrear a mercadoria durante todo o processo de distribuição.
Isso também ajuda a evitar o roubo de cargas, uma vez que os veículos
poderão estar integrados a um sistema de rastreamento por satélites”,
completa a professora.
Privacidade
Mas à medida que cresce o uso da tecnologia RFID, aumentam também as
discussões éticas que envolvem o tema. As etiquetas em si não têm
capacidade para armazenar dados pessoais dos consumidores; elas apenas
guardam um número que possibilita a identificação de um produto
adquirido por essas pessoas. A polêmica, porém, tem início quando as
lojas começam a associar o comprador ao produto sem o seu consentimento
- o que pode ser feito também, mas não somente, com a tecnologia RFID.
Abre-se um canal para que cartões bancários sejam enviados sem
solicitação, e que promoções indesejadas sejam oferecidas sem prévio
consentimento do usuário.
Regiane Relva afirma que esse tipo de ação, no entanto, já acontece
atualmente, mesmo com o uso limitado da tecnologia RFID. “Pouca gente
sabe que quando se inscreve em um programa de fidelidade de um
supermercado, por exemplo, cria-se uma imensa lista com tudo o que é
comprado. Depois, essa informação é usada para mandar propaganda
direcionada”, destaca. “Em cada venda somos levados a fornecer nossos
dados, e os argumentos são vários: descontos irresistíveis, milhagem,
regalias. Até a legislação federal pede para que todas as vendas sejam
associadas a um CPF”, analisa a professora.
Padronização
Ainda não há definição legal quanto à padronização da tecnologia – o que
facilitaria o estabelecimento de um regulamento ético a ser seguido. A
EPCglobal é uma das entidades mundiais sem fins lucrativos que defende a
padronização da identificação por radiofreqüência. A GS1 também trabalha
para o estabelecimento de padrões de uso para a tecnologia. “A proposta
para um padrão único já existe e está sendo discutida mundialmente”,
conta Roberto Matsubayashi, gerente de soluções da GS1 Brasil.
O executivo explica que as especificações surgem à medida que a
tecnologia é implantada. “As empresas explicam o que precisam, como
maiores distâncias de leitura das etiquetas, novas chaves para
criptografia, ou maior taxa de transferências de dados, e a gente tenta
elaborar um padrão que dê conta de todas essas necessidades”, diz.
Matsubayashi faz questão de lembrar que a privacidade do consumidor
também é levada em conta quando se discute o assunto e que um Comitê de
Políticas Públicas foi criado para tratar de questões que envolvem o
assunto. “Os produtos que usam a tecnologia deverão contar com algum
tipo de selo que informe o cliente que sobre o uso de etiquetas RFID,
por exemplo”, conta. Inutilizar a etiqueta assim que ela sai da loja é
outra medida que, segundo o executivo, é válida para proteger o
comprador. Quanto à segurança no uso da tecnologia, Regiane Relva lembra
que a tecnologia está exposta. “Como é baseada em redes sem fio o RFID
está sujeito às invasões de hackers e vírus”, alerta Relva.
Limites e perspectivas da tecnologia
Segundo Regiane Relva, uma série de dificuldades tecnológicas ainda tem
de ser superadas para que o RFID conquiste mais espaço no mercado. Entre
os obstáculos, está dificuldade de leitura e gravação de dados em
ambientes próximos a metais ou líquidos - supermercados, por exemplo.
Alguns desses problemas foram constatados no projeto piloto conduzido
pelo Grupo Pão de Açúcar. Docas metálicas, líquidos e gel atrapalharam a
leitura de dados, o que exigiu o reposicionamento das antenas de
captação de sinal. Mesmo assim, o índice de leitura obtido foi de 97%,
segundo o Pão de Açúcar.
Para Regiane Relva, “ainda há vários detalhes a acertar, mas o RFID já
está engatinhando e quase aprendendo a andar”, comemora. Muitos dos
novos usos da solução foram apresentados durante a CeBIT 2006, uma das
maiores feiras de tecnologia do mundo que acontece anualmente em
Hannover, na Alemanha.
Uma delas é a geladeira do futuro. Com um leitor de chips RFID, o
eletrodoméstico identifica os produtos estocados e avisa ao usuário
quando um produto com a etiqueta está acabando ou perderá a validade. Já
a máquina de lavar roupas do futuro identifica a roupa pelo chip e avisa
ao usuário qual ciclo da máquina deve ser utilizado para não estragá-la.
Outra novidade que se vale da tecnologia é o provador do futuro.
Trata-se de um espelho que interage com o público à medida que as roupas
– etiquetadas – são retiradas das gôndolas. A idéia do protótipo é que
no futuro, o próprio cliente seja “escaneado” dos pés à cabeça e que ele
se veja “vestido com as roupas” sem ter que experimentá-las.
Fonte:
http://wnews.uol.com.br/site/noticias/materia_especial.php?id_secao=17&id_conteudo=255
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