Privacidade
Esta parte da Cartilha discute questões relacionadas à
privacidade do usuário ao utilizar a Internet. É
apresentado o conceito de criptografia, onde são
discutidos os métodos de criptografia por chave única,
por chaves pública e privada e as assinaturas digitais.
Também são abordados temas relacionados à privacidade
dos e-mails, a privacidade no acesso e disponibilização
de páginas web, bem como alguns cuidados que o usuário
deve ter com seus dados pessoais e ao armazenar dados em
um disco rígido.
1. Criptografia
Criptografia é a ciência e arte de escrever mensagens em
forma cifrada ou em código. É parte de um campo de
estudos que trata das comunicações secretas, usadas,
dentre outras finalidades, para:
autenticar a identidade de usuários;
autenticar e proteger o sigilo de comunicações
pessoais e de transações comerciais e bancárias;
proteger a integridade de transferências eletrônicas
de fundos.
Uma mensagem codificada por um método de criptografia
deve ser privada, ou seja, somente aquele que enviou e
aquele que recebeu devem ter acesso ao conteúdo da
mensagem. Além disso, uma mensagem deve poder ser
assinada, ou seja, a pessoa que a recebeu deve poder
verificar se o remetente é mesmo a pessoa que diz ser e
ter a capacidade de identificar se uma mensagem pode ter
sido modificada.
Os métodos de criptografia atuais são seguros e
eficientes e baseiam-se no uso de uma ou mais chaves. A
chave é uma seqüência de caracteres, que pode conter
letras, dígitos e símbolos (como uma senha), e que é
convertida em um número, utilizado pelos métodos de
criptografia para codificar e decodificar mensagens.
Atualmente, os métodos criptográficos podem sem
subdivididos em duas grandes categorias, de acordo com o
tipo de chave utilizada: a criptografia de chave única
(vide seção 1.1) e a criptografia de chave
pública e privada (vide seção 1.2).
1.1. O que é criptografia de chave única?
A criptografia de chave única utiliza a mesma chave
tanto para a codificar quanto para decodificar
mensagens. Apesar deste método ser bastante eficiente em
relação ao tempo de processamento, ou seja, o tempo
gasto para codificar e decodificar mensagens, tem como
principal desvantagem a necessidade de utilização de um
meio seguro para que a chave possa ser compartilhada
entre pessoas ou entidades que desejem trocar
informações criptografadas.
Exemplos de utilização deste método de criptografia e
sugestões para o tamanho mínimo da chave única podem ser
vistos nas seções 1.4 e 1.5,
respectivamente.
1.2. O que é criptografia de chaves pública e privada?
A criptografia de chaves pública e privada utiliza duas
chaves distintas, uma para codificar e outra para
decodificar mensagens. Neste método cada pessoa ou
entidade mantém duas chaves: uma pública, que pode ser
divulgada livremente, e outra privada, que deve ser
mantida em segredo pelo seu dono. As mensagens
codificadas com a chave pública só podem ser
decodificadas com a chave privada correspondente.
Seja o exemplo, onde José e Maria querem se comunicar de
maneira sigilosa. Então, eles terão que realizar os
seguintes procedimentos:
1. José codifica uma mensagem utilizando a chave pública
de Maria, que está disponível para o uso de qualquer
pessoa;
2. Depois de criptografada, José envia a mensagem para
Maria, através da Internet;
3. Maria recebe e decodifica a mensagem, utilizando sua
chave privada, que é apenas de seu conhecimento;
4. Se Maria quiser responder a mensagem, deverá realizar
o mesmo procedimento, mas utilizando a chave pública de
José.
Apesar deste método ter o desempenho bem inferior em
relação ao tempo de processamento, quando comparado ao
método de criptografia de chave única (seção 1.1),
apresenta como principal vantagem a livre distribuição
de chaves públicas, não necessitando de um meio seguro
para que chaves sejam combinadas antecipadamente. Além
disso, pode ser utilizado na geração de assinaturas
digitais, como mostra a seção 1.3.
Exemplos de utilização deste método de criptografia e
sugestões para o tamanho mínimo das chaves pública e
privada podem ser vistos nas seções 1.4. e
1.5. , respectivamente.
1.3. O que é assinatura digital?
A assinatura digital consiste na criação de um código,
através da utilização de uma chave privada, de modo que
a pessoa ou entidade que receber uma mensagem contendo
este código possa verificar se o remetente é mesmo quem
diz ser e identificar qualquer mensagem que possa ter
sido modificada.
Desta forma, é utilizado o método de criptografia de
chaves pública e privada, mas em um processo inverso ao
apresentado no exemplo da seção
1.2.
1.4. Que exemplos podem ser citados sobre o uso de criptografia de
chave única e de chaves pública e privada?
Exemplos que combinam a utilização dos métodos de
criptografia de chave única e de chaves pública e
privada são as conexões seguras, estabelecidas entre o
browser de um usuário e um site, em transações comercias
ou bancárias via Web.
Estas conexões seguras via Web utilizam o método de
criptografia de chave única, implementado pelo protocolo
SSL (Secure Socket Layer). O browser do usuário precisa
informar ao site qual será a chave única utilizada na
conexão segura, antes de iniciar a transmissão de dados
sigilosos.
Para isto, o browser obtém a chave pública do
certificado1 da instituição que mantém o
site. Então, ele utiliza esta chave pública para
codificar e enviar uma mensagem para o site, contendo a
chave única a ser utilizada na conexão segura. O site
utiliza sua chave privada para decodificar a mensagem e
identificar a chave única que será utilizada.
A partir deste ponto, o browser do usuário e o site
podem transmitir informações, de forma sigilosa e
segura, através da utilização do método de criptografia
de chave única. A chave única pode ser trocada em
intervalos de tempo determinados, através da repetição
dos procedimentos descritos anteriormente, aumentando
assim o nível de segurança de todo o processo.
1.5. Que tamanho de chave deve ser utilizado?
Os métodos de criptografia atualmente utilizados, e que
apresentam bons níveis de segurança, são publicamente
conhecidos e são seguros pela robustez de seus
algoritmos e pelo tamanho das chaves que utilizam.
Para que um atacante descubra uma chave ele precisa
utilizar algum método de força bruta, ou seja, testar
combinações de chaves até que a correta seja descoberta.
Portanto, quanto maior for a chave, maior será o número
de combinações a testar, inviabilizando assim a
descoberta de uma chave em tempo hábil. Além disso,
chaves podem ser trocadas regularmente, tornando os
métodos de criptografia ainda mais seguros.
Atualmente, para se obter um bom nível de segurança na
utilização do método de criptografia de chave única, é
aconselhável utilizar chaves de no mínimo 128 bits. E
para o método de criptografia de chaves pública e
privada é aconselhável utilizar chaves de no mínimo 1024
bits. Dependendo dos fins para os quais os métodos
criptográficos serão utilizados, deve-se considerar a
utilização de chaves maiores: 256 ou 512 bits para chave
única e 2048 ou 4096 bits para chaves pública e privada.
2. Privacidade dos E-Mails
O serviço de e-mails foi projetado para ter como uma de
suas principais características a simplicidade. O
problema deste serviço é que foi comparado com o correio
terrestre, dando a falsa idéia de que os e-mails são
cartas fechadas. Mas eles são, na verdade, como cartões
postais, cujo conteúdo pode ser lido por quem tiver
acesso a eles.
2.1. É possível alguém ler e-mails de outro usuário?
As mensagens que chegam à caixa postal do usuário ficam
normalmente armazenadas em um arquivo no servidor de
e-mails do provedor, até o usuário se conectar na
Internet e obter os e-mails através do seu programa de
e-mails.
Portanto, enquanto os e-mails estiverem no servidor,
poderão ser lidos por pessoas que tenham acesso a este
servidor2. E enquanto estiverem em trânsito,
existe a possibilidade de serem lidos por alguma pessoa
conectada à Internet.
2.2. Como é possível assegurar a privacidade dos e-mails?
Se a informação que se deseja enviar por e-mail for
confidencial, a solução é utilizar programas que
permitam criptografar o e-mail através de chaves (senhas
ou frases), de modo que ele possa ser lido apenas por
quem possuir a chave certa para decodificar a mensagem.
Alguns softwares de criptografia podem estar embutidos
nos programas de e-mail, outros podem ser adquiridos
separadamente e integrados aos programas de e-mail.
Devem ser usados, preferencialmente, programas de
criptografia que trabalhem com pares de chaves (vide
seção
1.2), tais
como o PGP ou o GnuPG, que podem ser obtidos no site
www.pgpi.org.
Estes programas, apesar de serem muito utilizados na
criptografia de mensagens de e-mail, também podem ser
utilizados na criptografia de qualquer tipo de
informação, como por exemplo, um arquivo sigiloso a ser
armazenado em uma cópia de segurança (parte II desta
Cartilha: Riscos Envolvidos no Uso da Internet e
Métodos de Prevenção).
2.3. A utilização de programas de criptografia é suficiente para
assegurar a privacidade dos e-mails?
Os programas de criptografia são utilizados, dentre
outras finalidades, para decodificar mensagens
criptografadas, recebidas por um usuário, no momento em
que este desejar lê-las.
Ao utilizar um programa de criptografia para decodificar
uma mensagem, é possível que o programa de e-mail
permita salvar a mensagem no formato decodificado, ou
seja, em texto claro. No caso da utilização de programas
de e-mail com esta característica, a privacidade do
conteúdo da mensagem é garantida durante a transmissão
da mensagem, mas não necessariamente no seu
armazenamento.
Portanto, é extremamente importante o usuário estar
atento para este fato, e também certificar-se sobre o
modo como suas mensagens estão sendo armazenadas. Como
uma mensagem pode ser decodificada sempre que o usuário
desejar lê-la, é aconselhável que ela seja armazenada de
forma criptografada e não em texto claro.
3. Privacidade no Acesso e Disponibilização de Páginas Web
Existem cuidados que devem ser tomados por um usuário ao
acessar ou disponibilizar páginas na Internet. Muitas
vezes o usuário pode expor informações pessoais e
permitir que seu browser receba ou envie dados sobre
suas preferências e sobre o seu computador. Isto pode
afetar a privacidade de um usuário, a segurança de seu
computador e até mesmo sua própria segurança.
3.1. Que cuidados devo ter ao acessar páginas Web e ao receber
Cookies?
Cookies são muito utilizados para rastrear e manter as
preferências de um usuário ao navegar pela Internet.
Estas preferências podem ser compartilhadas entre
diversos sites na Internet, afetando assim a privacidade
de um usuário. Não é incomum acessar pela primeira vez
um site de música, por exemplo, e observar que todas as
ofertas de CDs para o seu gênero musical preferido já
estão disponíveis, sem que você tenha feito qualquer
tipo de escolha.
Além disso, ao acessar uma página na Internet, o seu
browser disponibiliza uma série de informações, de modo
que os cookies podem ser utilizados para manter
referências contendo informações de seu computador, como
o hardware, o sistema operacional, softwares instalados
e, em alguns casos, até o seu endereço de e-mail.
Estas informações podem ser utilizadas por alguém mal
intencionado, por exemplo, para tentar explorar uma
possível vulnerabilidade em seu computador, como visto
nas partes I (Conceitos de Segurança) e II (Riscos
Envolvidos no Uso da Internet e Métodos de Prevenção)
desta Cartilha.
Portanto, é aconselhável que você desabilite o
recebimento de cookies, exceto para sites confiáveis,
onde sejam realmente necessários.
As versões recentes dos browsers normalmente permitem
que o usuário desabilite o recebimento, confirme se quer
ou não receber e até mesmo visualize o conteúdo dos
cookies.
Também existem softwares que permitem controlar o
recebimento e envio de informações entre um browser e os
sites visitados. Dentre outras funções, estes podem
permitir que cookies sejam recebidos apenas de sites
específicos3.
Uma outra forma de manter sua privacidade ao acessar
páginas na Internet é utilizar sites que permitem que
você fique anônimo. Estes são conhecidos como
anonymizers4 e intermediam o envio e
recebimento de informações entre o seu browser e o site
que se deseja visitar. Desta forma, o seu browser não
receberá cookies e as informações por ele fornecidas não
serão repassadas para o site visitado.
Neste caso, é importante ressaltar que você deve
certificar-se que o anonymizer é confiável. Além disso,
você não deve utilizar este serviço para realizar
transações via Web.
3.2. Que cuidados devo ter ao disponibilizar um página na Internet,
como por exemplo um blog?
Um usuário, ao disponibilizar uma página na Internet,
precisa ter alguns cuidados, visando proteger os dados
contidos em sua página.
Um tipo específico de página Web que vem sendo muito
utilizado por usuários de Internet é o blog. Este
serviço é usado para manter um registro freqüente de
informações, e tem como principal vantagem permitir que
o usuário publique seu conteúdo sem necessitar de
conhecimento técnico sobre a construção de páginas na
Internet.
Apesar de terem diversas finalidades, os blogs têm sido
muito utilizados como diários pessoais. Em seu blog, um
usuário poderia disponibilizar informações, tais como:
seus dados pessoais (e-mail, telefone, endereço, etc);
dados sobre o seu computador (dizendo, por exemplo,
"...comprei um computador da marca X e instalei o
sistema operacional Y...");
dados sobre os softwares que utiliza (dizendo, por
exemplo, "...instalei o programa Z, que acabei de obter
do site W...");
informações sobre o seu cotidiano (como, por exemplo,
hora que saiu e voltou para casa, data de uma viagem
programada, horário que foi ao caixa eletrônico, etc);
É extremamente importante estar atento e avaliar com
cuidado que informações serão disponibilizadas em uma
página Web. Estas informações podem não só ser
utilizadas por alguém mal-intencionado, por exemplo, em
um ataque de engenharia social (parte I desta Cartilha:
Conceitos de Segurança), mas também para atentar contra
a segurança de um computador, ou até mesmo contra a
segurança física do próprio usuário.
4. Cuidados com seus Dados Pessoais
Procure não fornecer seus dados pessoais (como nome,
e-mail, endereço e números de documentos) para
terceiros. Também nunca forneça informações sensíveis
(como senhas e números de cartão de crédito), a menos
que esteja sendo realizada uma transação (comercial ou
financeira) e se tenha certeza da idoneidade da
instituição que mantém o site.
Estas informações geralmente são armazenadas em
servidores das instituições que mantém os sites. Com
isso, corre-se o risco destas informações serem
repassadas sem autorização para outras instituições ou
de um atacante comprometer este servidor e ter acesso a
todas as informações.
Fique atento aos ataques de engenharia social, vistos na
parte I desta Cartilha (Conceitos de Segurança).
Ao ter acesso a seus dados pessoais, um atacante
poderia, por exemplo, utilizar seu e-mail em alguma
lista de distribuição de Spams (vide parte VI desta
Cartilha: Spam) ou se fazer passar por
você na Internet (através do uso de uma de suas senhas).
5. Cuidados com os Dados Armazenados em um Disco Rígido
É importante ter certos cuidados no armazenamento de
dados em um computador. Caso você mantenha informações
sensíveis ou pessoais que você não deseja que sejam
vistas por terceiros (como números de cartões de
crédito, declaração de imposto de renda, senhas, etc),
estas devem ser armazenadas em algum formato
criptografado.
Estes cuidados são extremamente importantes no caso de
notebooks, pois são mais visados e, portanto, mais
suscetíveis a roubos, furtos, etc.
Caso as informações não estejam criptografadas, se você
necessitar levar o computador a alguma assistência
técnica, por exemplo, seus dados poderão ser lidos por
algum técnico mal-intencionado.
Para criptografar estes dados, como visto na seção
2.2, existem programas que, além de serem
utilizados para a criptografia de e-mails, também podem
ser utilizados para criptografar arquivos.
Um exemplo seria utilizar um programa que implemente
criptografia de chaves pública e privada (seção
1.2), como o
PGP. O arquivo sensível seria criptografado com a sua
chave pública e, então, decodificado com a sua chave
privada, sempre que fosse necessário.
É importante ressaltar que a segurança deste método de
criptografia depende do sigilo da chave privada. A
idéia, então, é manter a chave privada em um CD ou em
outro disco rígido (em uma gaveta removível) e que este
não acompanhe o computador, caso seja necessário
enviá-lo, por exemplo, para a assistência técnica.
Também deve-se ter um cuidado especial ao trocar ou
vender um computador. Apenas apagar ou formatar um disco
rígido não é suficiente para evitar que informações
antes armazenadas possam ser recuperadas. Portanto, é
importante sobrescrever todos os dados do disco rígido
(vide seção 5.1).
5.1. Como posso sobrescrever todos os dados de um disco rígido?
Para assegurar que informações não possam ser
recuperadas de um disco rígido é preciso sobrescrevê-las
com outras informações. Um exemplo seria gravar o
caracter 0 (zero), ou algum caracter escolhido
aleatoriamente, em todos os espaços de armazenamento do
disco.
É importante ressaltar que é preciso repetir algumas
vezes a operação de sobrescrever os dados de um disco
rígido, para assegurar que informações anteriormente
armazenadas não possam ser recuperadas.
Existem softwares gratuitos e comerciais que permitem
sobrescrever dados de um disco rígido e que podem ser
executados em diversos sistemas operacionais, como o
Windows (95/98, 2000, etc), Unix (Linux, FreeBSD, etc) e
Mac OS.
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Fonte:
http://www.terra.com.br/informatica/especial/cartilha/privacidade.htm