| 1. INTRODUÇÃO
As ferramentas para segurança de computadores e
redes são necessárias para proporcionar
transações seguras. Geralmente as instituições
concentram suas defesas em ferramentas
preventivas como firewalls mas acabam ignorando
as ferramentas de detecção de intrusão ( IDS –
Intrusion Detection System ).
Na primeira parte
deste texto faremos uma analogia entre o sistema
de defesa dos seres vivos e as futuras ( ou
atuais ) ferramentas de IDS, na segunda parte
trataremos de alguns aspectos relacionados a
“anatomia” das ferramentas de IDS e finalmente
faremos algumas considerações sobre os aspectos
legais a respeito dos dados coletados por tais
sistemas.
2. SISTEMA DE DEFESA
DOS SERES VIVOS E AS FERRAMENTAS DE IDS.
2.1 A Analogia
Os anticorpos
constituem o mais específico mecanismo de defesa
que nosso organismo possui. Os anticorpos
desempenham importantíssimo papel na proteção de
nosso organismo contra substâncias estranhas.
Quando injetamos
em um animal uma substância estranha, certos
glóbulos brancos do sangue, os linfócitos T,
produzem e lançam na corrente sangüínea um tipo
especial de proteína capaz de se unir
especificamente à molécula estranha,
inativando-a. A proteína que o indivíduo
sintetiza em resposta ao material estranho,
denomina-se anticorpo, e as substâncias
estranhas, que induzem a síntese dos anticorpos,
são denominadas antígenos.
Possuímos dois
tipos de sistemas de imunização, são eles:
-
Imunização ativa: é a que se consegue
pela formação de anticorpos elaborados pelo
próprio indivíduo. Nos seres humanos
inicia-se a partir do 3º mês de vida do
feto, entre o 4º e 6º mês de vida do feto
outros órgãos completam o sistema imunitário.
Como o sistema imunitário se estabelece só a
partir do 3º mês, durante os três primeiros
meses de vida, o feto é incapaz de se
defender por seus próprios meios contra
eventuais infecções que atravessem a
barreira placentária. Nesta fase, o feto
conta só com a imunização passiva (
anticorpos que existem na mãe ), transferida
da mãe ao filho através da placenta.
-
Imunização passiva: um animal é
imunizado contra um determinado antígeno.
Esta imunização é feita através de injeção
cada vez mais concentradas do antígeno, no
animal. O animal reage a este antígeno
produzindo quantidades cada vez maiores de
anticorpos específicos, que vão se
acumulando no sangue. Após a imunização, é
extraido sangue do animal imunizado e a
fração sangüínea que contem as moléculas de
anticorpo, são separadas. Esta fração rica
em anticorpos é chamada soro e é injetado na
corrente sangüínea do indivíduo que se
deseja imunizar.
O sistema de
detecção de intrusão ou IDS, tem como um dos
objetivos principais detectar se alguém está
tentando entrar no seu sistema ou se algum
usuário legitimo está fazendo mau uso do mesmo.
Esta ferramenta roda constantemente ( 24
x 7 ) em background e somente gera uma
notificação quando detecta alguma coisa que seja
suspeita ou ilegal; assim sendo podemos dizer
que a placenta corresponde aos sistemas de
firewalls, a imunidade passiva está dentro dos
sensores e são os padrões de ataques /
assinaturas, ou seja, os ataques conhecidos
previamente, a imunidade ativa também estão
dentro dos sensores e são caracterizadas por
possuírem inteligência para aprender com o
comportamento da rede e com isso identificar
novos padrões ou mutação dos padrões existentes,
a identificação dos novos padrões é realizada
pelos aprendizes ( linfócitos T ), o antigeno é
a doença, a ameaça o ataque e os anticorpos são
os contra-ataques.
Um sensor é
composto por um conjunto de componentes, entre
eles: sub-sensor estático, sub-sensor
inteligente e aprendiz. O sub-sensor estático
deve inicialmente ser configurado de arcordo com
a política de segurança além de possuir as
assinaturas dos ataques conhecidos, isso
caracteriza a imunização passiva, já o
sub-sensor inteligente inicialmente passa por um
período de adaptação e aprendizado fase em que o
sensor aprende e reconhece o padrão de
funcionamento da rede, este período pode ser
variável dependendo do volume de tráfego, após
esta fase estes sub-sensores inteligentes
estariam em condições de reconhecer padrões que
fogem da normalidade da rede ( linfócitos T ) e
tomarem ações.
Os sensores podem
ser de dois tipos:
- Os sensores
de rede devem localizar-se em segmentos
estratégicos observando o tráfego da rede e
os formatos de pacotes entre outros;
- Os sensores
de hosts, ficam dentro dos servidores
críticos observando as ações realizadas no
sistema operacional, as ações dos serviços e
o comportamento da pilha TCP/IP.
Os sensores devem
interagir entre si a fim de construirem uma
matriz de eventos que tem por objetivo a
qualificação do padrão de ataque, minimizando
desta forma a ocorrência de alertas falsos (
falso positivo ). Outras características
fundamentais são: o gerenciamento centralizado,
a possibilidade do sensor interagir com outros
elementos de rede como firewall, roteadores e
consoles de gerência; e a possibilidade de
construir uma base de conhecimento centralizada
de forma a permitir uma visão ampla do nível de
segurança da rede.
Desta forma
quando algum ataque ( antigeno ) for detectado
pelos sensores torna-se possível ações de
conta-ataque ( anticorpos ) que podem ser: envio
de email para o administrador, envio de mensagem
via pager, ativação de alertas nas estações de
gerência via SNMP, reconfiguração de elementos
de rede como firewall e roteadores, e até mesmo
o encerramento da conexão através do envio de
pacotes de reset ( flag RST do TCP ) para a
máquina atacante e para a máquina atacada, com o
objetivo de descarregar a pilha TCP.
No sistema de
segurança proposto por [Carlson e Cláudio, 1999
] uma caracteristicas importantes é o
aprendizado constante com a utilização de
estratégias múltiplas.
2.2 O Intruso
De forma simples
podemos dizer que um intruso é alguém que tenta
invadir seu sistema ou fazer mau uso do mesmo.
Mas como você pode definir um intruso?, O que é
tentar invadir o sistema? ou ainda o que é fazer
mau uso do mesmo?, Um usuário que tenta acessar
seu sistema três vezes consecutivas e erra
todas, pode ser classificado como um intruso ou
como uma tentativa de intrusão?.
Para você poder
diferenciar as ações legitimas das ações
nocivas, faz-se necessário a definição de uma
política de segurança.
Podemos
classificar os intrusos em dois tipo:
- Intrusos
Externos – Muitas pessoas podem pensar
que sua instituição esta sujeita na maior
parte do tempo a este tipo de tentativa, ou
seja, ataques originados de fora da
instituição geralmente da Internet.
- Intrusos
Internos – Mas os estudos geralmente
revelam que a maior porcentagem de ataques
tem origem dentro da própria instituição,
pois afinal quem conhece melhor a topologia
da sua rede?, Alguém que esta dentro ou
fora?, Quem sabe onde os dados sensíveis
estão armazenados e quais são os recursos de
segurança disponíveis?.
Levando-se em
consideração o fato de que a maioria dos
mecanismos de segurança são implementados com o
objetivo de proteger a instituição dos ataques
externos muitos ataques ocorrem e muitas vezes
não são notados ou quando o são já é tarde
demais. Então faz-se necessário um mecanismo que
detecte os dois tipos de ataque – uma tentativa
externa ou interna. Um sistema de IDS eficiente
deve detectar os dois tipos de ataques.
2.3 A Política de
segurança
Uma política de
segurança define o que é permitido e o que é
proibido em um sistema. Temos basicamente duas
filosofias por traz de qualquer política de
segurança:
-
Proibitiva – tudo que não é
expressamente permitido é proibido;
-
Permissiva – tudo que não é
expressamente proibido é permitido;
Geralmente as
instituições mais preocupadas com a segurança
adotam a primeira abordagem. Uma política deve
descrever exatamente quais operações são
permitidas em um sistema. Qualquer operação que
não esteja descrita de forma detalhada na
política de segurança deve ser considerada
ilegal ao sistema.
Infelizmente hoje
em dia muitos usuários não tem respeitado a
privacidade de outros usuários. O espirito de
competitividade tende a passar por cima da
ética, isso quando não se trata de um caso
patológico de algum doente mental que não se
satisfaz sem que invada a privacidade das outras
pessoas. Casos de sabotagem podem ser comuns em
ambientes com níveis de competitividade
elevado.
Muitos usuários
respeitam o conjunto de regras sociais. Estas
regras encorajam que uns respeitem aos outros
tanto a privacidade quanto o ambiente de
trabalho. Então torna-se muito fácil subverter a
confiança em um ambiente onde existe um acordo
de confiança, ou seja, é relativamente fácil
invadir um sistema onde os usuários confiam uns
nos outros.
Diante disso
torna-se necessário a documentação e divulgação
das regras que primam pela manutenção da
privacidade e integridade.
A justiça deve
ser feita e deve ser mostrado que foi feita!
Elementos de uma
política de segurança.
Um sistema de
computadores pode ser considerado como um
conjunto de recursos que é disponibilizado para
ser utilizado pelos usuários autorizados.
Existe um
documento escrito por Donn Park [Park,
1994] que descreve seis elementos que devem ser
contemplados em uma política de segurança:
-
Disponibilidade – O sistema deve estar
disponível para uso quando o usuário
precisar. Dados críticos devem estar
disponíveis de forma ininterrupta;
- Utilização –
O sistema e os dados devem ser utilizados
para as devidas finalidades;
- Integridade
– O sistema e os dados devem estar
completamente íntegros e em condições de
serem utilizados;
-
Autenticidade – O sistema dever ter
condições de verificar a identidade do
usuário e o usuário deve ter condições de
verificar a identidade do sistema;
-
Confidencialidade – Dados privados devem ser
apresentados somente para os donos dos dados
ou para o grupo de usuários para o a qual o
dono dos dados permitir;
- Posse – O
dono do sistema deve ter condições de
controla-lo;
3 ANATOMIA DE UMA
FERRAMENTAS DE IDS
3.1 Classificação
das Intrusões
Antes de falarmos
sobre o sistema de IDS, temos que definir o que
significa uma intrusão. Todas as intrusões estão
definidas na política de segurança. Enquanto não
definirmos o que é permitido e o que não é
permitido em nosso sistema é inútil tentar
entender uma intrusão.
Uma intrusão pode
ser definida como [HeadyLugerEtAl, 1990]:
Qualquer conjunto
de ações que tentem comprometer a integridade,
confidencialidade ou disponibilidade dos dados
e/ou sistema.
Podemos
classificar as intrusões em duas classes
principais:
- Intrusão
devido ao mau uso do sistema – são os
ataques realizados a pontos fracos do
sistema, pontos este conhecidos. Eles podem
ser detectados a partir da monitoração de
certas ações realizadas em determinados
objetos.;
- Intrusão
devido a mudança de padrão – são detectadas
com a observação de mudanças de uso em
relação ao padrão normal do sistema.
Primeiro monta-se um perfil do sistema, em
seguida através de monitoração procura-se
por divergências significantes em relação ao
perfil construído.
Como a intrusão de
mau uso segue padrões bem definidos elas podem
ser descobertas através da comparação de padrões
em relação a auditoria do sistema. Por exemplo,
uma tentativa de criar um arquivo com setuis
pode ser detectada através da analise dos logs
realizados pela chamadas ao sistema, call system.
[KumarSpafford, 1994]
Uma intrusão
devido a mudança de padrões é detectada
observando-se divergências significantes em
relação a utilização normal do sistema. Pode-se
construir um modelo a partir de valores
derivados da operação do sistema. [Denning,
1987]:
Uma variável
randomica X valores apurados durante um
determinado período de tempo.
Estes valores são
apurados a partir de parâmetros do sistema, como
utilização da CPU, número de conexões por
minuto, número de processos por usuário entre
outros.
Uma variação significativa nestes padrões pode
ser um indício de intrusão. Devido ao grupo de
valores que podem definir a utilização normal do
sistema, vamos assumir o seguinte [Denning,
1987]:
Exploração das
vulnerabilidades de um sistema envolve a
utilização indevida/anormal do sistema; então,
podem ser descobertas violações de segurança a
partir de padrões anormais de uso de sistema.
Intrusões devido
a mudança de padrões são difíceis de serem
detectadas. Não existe um padrão fixo que possa
ser monitorado, desta forma devemos trabalhar
com aproximação.
O ideal seria a
combinação de padrões humanos com programas,
desta forma o sistema seria monitorado
constantemente a procura de intrusão ao mesmo
tempo que teria a capacidade de ignorar as ações
de usuários legítimos.
3.2 Detecção de
uma Intrusão
Muitas
ferramentas, de IDS realizam suas operações a
partir da analise de padrões do sistema
operacional e da rede tais como: utilização de
CPU, I/O de disco, uso de memória, atividades
dos usuários, número de tentativas de login,
número de conexões, volume de dados trafegando
no segmento de rede entre outros. Estes dados
formam uma base de informação sobre a utilização
do sistema em vários momentos do tempo, outras
já possuem bases com padrões de ataque
previamente montadas permitindo também a
configuração dos valores das bases bem como
inclusão de novos parâmetros.
Com estas
informações a ferramenta de IDS pode identificar
as tentativas de intrusão e até mesmo registrar
a técnica utilizada.
Uma ferramenta de IDS deve possuir algumas
características, entre elas:
- Deve rodar
continuamente sem interação humana e deve
ser segura o suficiente de forma a permitir
sua operação em background, mas não deve ser
uma caixa preta;
- Deve ter
tolerância a falhas, de forma a não ser
afetada por uma falha do sistema, ou seja,
sua base de conhecimento não deve ser
perdida quando o sistema for reinicializado;
- Deve
resistir a tentativas de mudança ( subversão
) de sua base, ou seja, deve monitorar a si
próprio de forma a garantir sua segurança;
- Dever ter o
mínimo de impacto no funcionamento do
sistema;
- Deve
detectar mudanças no funcionamento normal;
- Deve ser de
fácil configuração, cada sistema possui
padrões diferentes e a ferramenta de IDS
deve ser adaptada de forma fácil aos
diversões padrões.
- Deve cobrir
as mudanças do sistema durante o tempo, como
no caso de uma nova aplicação que comece a
fazer parte do sistema;
- E deve ser
difícil de ser enganada.
O último ponto faz
referências aos prováveis erros que podem
acontecer ao sistema. Estes podem ser
classificados em: falso positivo, falso negativo
e erros de subversão.
- Falso
positivo ocorre quando a ferramenta
classifica uma ação como uma possível
intrusão, quando na verdade trata-se de uma
ação legítima;
- Falso
negativo ocorre quando uma intrusão real
acontece mas a ferramenta permite que ela
passe como se fosse uma ação legítima;
- Subversão
ocorre quando o intruso modifica a operação
da ferramenta de IDS para forçar a
ocorrência de falso negativo.
3.3 Modelo
Conceitual de uma Ferramenta de IDS
Devido a grande
variedade de sistemas de IDS foi proposto um
modelo, CIDF – Common Intrusion Detection
Framework [ CIDF site ], este modelo agrupa um
conjunto de componentes que define uma
ferramenta de IDS:
- Gerador de
Eventos ( E-boxes )
- Analizador
de Eventos ( A-boxes )
- Database de
Eventos ( D-boxes )
- Unidade de
Resposta ( R-boxes )
Algumas
características desejáveis dos componentes são:
- Devem ser
reutilizados em um contexto diferente do
qual foram originalmente desenvolvidos, ou
seja, devem ser configuráveis de forma a
adaptarem-se a ambientes distintos;
- Os sistemas
de IDS podem ser elaborados em módulos com
funções distintas;
- Estes
componentes podem compartilhar/trocar
informações entre si, via API ou através da
rede, para uma melhor precisão na
identificação de ataques;
- Componentes
novos devem automaticamente identificar os
demais componentes;
- O grupo de
componentes poder atuar mutuamente de forma
a dar a impressão de ser um único elemento.
Segundo a
padronização do CIDF, existe um modelo de
linguagem para troca de informações entre os
componentes, o CISL – Common Intrusion
Specification Language, este formato é
referenciado como GIDO – generalized intrusion
detection objects.
3.3.1 Gerador de
Eventos - ( E-box )
A função deste
componente é obter os eventos a partir do meio
externo ao CIDF, ou seja, ele “produz” os
eventos mas não os processa, isso fica a cargo
do componente especializado na função de
processamento, que por sua vez após analisar os
eventos ( violação de política, anomalias,
intrusão ) envia os resultados para outros
componentes.
3.3.2 Analisador
de Eventos – ( A-box )
Este componente
basicamente recebe as informações de outros
componentes, analisa estas informações e as
envia de forma resumida para outros componentes,
ou seja, recebe os dados de forma bruta, faz um
refinamento e envia para outros.
3.3.3 Database
de Eventos – ( D-box )
A função deste
componente é armazenar os eventos e/ou
resultados para uma necessidade futura.
3.3.4 Unidade de
Resposta – ( R-box )
Este componente é
responsável pelas ações, ou seja, matar o
processo, resetar a conexão, alterar a permissão
de arquivos, notificar as estações de gerência,
etc.
3.3.5
Comunicação entre Componentes
A comunicação
entre os componentes é definida por uma
arquitetura de camadas:
- Gido layer
- Message
layer
- Negotiated
Transport layer
Esta arquitetura
garante a comunicação entre os elementos, bem
como sistemas de criptografia e autenticação,
estes mecanismos estão definidos no Comm –
Communication in the Common Intrusion Detection
Framework.
4 ASPECTOS JURÍDICOS
4.1 Noções
fundamentais
Antes de
falar-mos sobre o levantamento e preservação das
evidências, é fundamental termos algum
entendimento a respeito dos termos e definições
utilizadas, bem como dos elementos necessários
para dar início a um processo.
4.1.1 Indício
Sm (lat indiciu)
1 Vestígio, sinal. 2 Indicação. 3 Sinal ou fato
que deixa entrever alguma coisa, sem a descobrir
completamente, mas constitui princípio de prova.
[ MICHAELIS, 1998 ].
4.1.2 Evidência
Sf (lat evidentia)
“Qualidade daquilo que é evidente, que é
incontestável, que todos vêem ou podem ver e
verificar. E. de fato: a que se adquire pela
observação...”. [ MICHAELIS, 1998 ].
4.1.3 Prova
“Do latim probare,
tornar crível, estabelecer uma verdade,
com/provar. Em sentido amplo, todo meio
suscetível de demostrar a verdade de um
argumento. ... No direito, em sentido objetivo,
todo meio lícito empregado pela parte ou
interessado na demonstração daquilo que alega.
Não se pode, todavia, desconsiderar o aspecto
subjetivo da definição, qual seja, o da
convicção do próprio juiz. Daí definirmos a
prova processual como todo meio lícito e
suscetível de convencer o juiz da verdade de uma
alegação da parte. ... para que a prova
frutifique é imperioso que seja suficiente (
plena ); seja clara e não incerta, obscura ou
duvidosa; concludente e não impertinente ou
irrelevante; ... Quanto às provas moralmente
ilegítimas, não são apenas como parecem à
primeira vista, aquelas que afrontam a decência,
os bons costumes, enfim; vêm a ser, também, as
obtidas por meios ilícitos, agredindo a
privacidade da parte. A nova CF veda, em seu
art. 5º, LVI, a prova ilícita: “São
inadmissíveis, no processo, as provas obtidas
por meio ilícitos”. ... a própria Carta Magna
faz uma ressalva a tal orientação, ao dispor, no
citado art. 5º, XII: “É inviolável o sigilo da
correspondência e das comunicações telegráficas
de dados e das comunicações telefônicas, salvo,
no ultimo caso, por ordem judicial, nas
hipóteses e na forma que a lei estabelecer para
fins de investigação criminal ou instrução
processual penal”...”.[Dicionário Jurídico].
4.1.4 Dano
“Do latim damnu,
prejuízo, perda.
Prejuízo sofrido pelo patrimônio econômico ou
moral de alguém. O dano pode ser material,
também chamado real, quando atinge um bem
economicamente apurável;...”. [Dicionário
Jurídico].
4.1.5 Dano
Emergente
“Efeito danoso,
direto e imediato, de um ato ilícito. Trata-se
de uma conseqüência primaria de tal ato,
ensejando reparação, nos termos do art. 159 do
CC. ... O CC trata, nos arts. 1.059 a 1.061, das
perdas e danos, assim dispondo o art. 1.059:
“Salvo as exceções previstas neste código, de
modo expresso, as perdas e danos ... abrangem,
além do que efetivamente perdeu, o que
razoavelmente deixou de lucrar...”. [Dicionário
Jurídico].
4.1.6 Inquérito
policial
“Do latim
quaerere, inquiere, inquirir, indagar.
Procedimento destinado à reunião de elementos
acerca de uma infração penal. É o conjunto de
diligência realizadas pela Polícia Judiciária,
para apuração de uma infração penal e sua
autoria, para que o titular possa ingressar em
Juízo, pedindo a aplicação de lei ao caso
concreto...”. [Dicionário Jurídico].
4.1.7 Ação Civil
Art. 63.
Transitada em julgado a sentença condenatória,
poderão promover-lhe a execução, no juízo cível,
para o efeito da reparação do dano, o ofendido,
seu representante legal ou seus herdeiros.
Art. 64. Sem
prejuízo do disposto no artigo anterior, a ação
para ressarcimento do dano poderá ser proposta
no juízo cível, contra o autor do crime e, se
for caso, contra o responsável civil. [Código de
Processo Penal].
4.2 Abordagem
Adotada
Neste texto
assumimos que os logs constituem evidências e a
mesmas serão utilizadas para estabelecer a
verdade de um fato, ou seja, constituir a
prova.
4.3 Levantamento
de Evidências
Uma questão que a
cada dia torna-se mais importante e preocupante
diz respeito aos procedimentos para reunião de
provas com a finalidade de instaurar inquérito
penal ou ação civil, ou seja, mecanismos que
permitam preservar às evidências com o objetivo
de assegurar a integridade e autenticidade dos
dados coletados de forma a garantir seu valor
probante para que futuramente as devidas ações
legais sejam instauradas. Estas ações podem ser
intentadas na esfera penal, precedidas ao
inquérito, nos casos de crimes de ação publica
( CPP art. 5º ), ou no âmbito civil.
As ações penais
caracterizam-se pela violação da legislação
penal em vigor, já a ação civil decore dos danos
causados.
Segundo [ sommer,
1998 ], a questão é: Quais são os requisitos
para tornar os dados coletados pelas ferramentas
de IDS em evidências legais?
Devemos ter em
mente que a demonstração de que uma intrusão
ocorreu é apenas um dos pontos para legitimidade
de um processo civil/criminal.
Esta dificuldade
existe principalmente devido a uma questão
filosófica no tocante à interpretação da
caracterização de provas para a comunidade de
especialistas em computadores e o que o sistema
legal considera prova.
Como pudemos ver a principal função de uma
ferramenta de IDS é detectar o intruso e acionar
processos de contra ataque. No mundo real, nos
edifícios, industrias, em nossas casas dispomos
de vários dispositivos que permitem a detecção
de intrusos, tais como: infravermelho,
analisadores de variação de temperatura e
pressão, sensores de movimento; todos este
equipamentos são úteis para disparar um alarme
quando detecta um intruso, mas eles não possuem
formas que permita uma coleta imediata de
evidências com o objetivo de identificar o
intruso, como analogia podemos citar o cachorro
latindo durante a noite, provavelmente trata-se
de um intruso, mas quem é o intruso? Um gato ou
alguém querendo invadir seu espaço? ( até os
cães possuem falso positivo ), para ajudar na
identificação do intruso um circuito fechado de
TV pode ser útil, este circuito necessariamente
não estará sendo monitorado constantemente mas
sim coletando evidências visuais de alguns
ponto, que serão úteis para identificação do
intruso, mas este circuito fechado de TV possui
pouco valor para ativar um alarme, desta forma
podemos concluir que um sistema de segurança
depende da combinação de vários métodos.
Mas sobre o ponto
de vista das evidências procuramos elementos
para que possamos demonstrar a ocorrência de uma
intrusão e a identificação do intruso, para isso
devemos incluir vários tipos de logs:
- Log dos
sistemas
- Log de
auditoria
- Log de
aplicações
- Log da rede
Devemos agrupar
todos este dados de forma a permitir uma análise
fácil e entendimento claro, estes são os dados
derivados.
4.4 Preservando
as Evidências
A primeira
atitude a ser tomada no tocante a preservação
das evidências é a realização de uma cópia do
disco rígido e dos discos flexíveis, deve ser
realizada uma copia de espelhamento de bits, ou
seja, um bit stream backup.
Outra questões
fundamental em relação as evidências é sua
autenticidade. Os advogados de defesa certamente
vão questionar a veracidade de qualquer prova da
acusação. Isso significa que apenas o fato de
ter todos os logs impressos e apresenta-los
perante a corte onde alguém esta sendo acusado
de invadir uma rede pode ser inútil.
Assim, é
recomendável que ao dar início a investigação de
incidentes de segurança providenciar um caderno
para cada um dos membros da equipe e orienta-los
a anotar todos os passo importantes realizados
durante o processo de investigação, ou seja,
estes cadernos servirão como livro de registro.
Algumas das
provas mais valiosas para a acusação será as
anotações da equipe de investigação. Devera ser
eleita uma pessoa para ser responsável pelo
tratamento das evidências. Todos os membros
deverão diariamente entregar os livros de
registro a esta pessoa que terá como função
tirar cópias das páginas assinar e datar cada
página e em seguida guarda-las em um cofre até
que chegue o momento de utiliza-las, este
procedimento pode ser utilizado para outros
processos como as listagens impressas.
Deve-se também realizar uma autenticação ( CRC,
MD5 ) dos arquivos e até mesmo do disco se
possível de forma a garantir/provar que as
evidências originais não foram alteradas.
No processo de
documentação deve-se registrar todos os
programas utilizados durante a investigação e é
de fundamental importância que todos os
programas utilizados sejam registrados, pois
pirataria é crime.
Este são alguns
dos procedimentos da metodologia forense para
levantamento e preservação das evidências.
4.5 Evidências
Passíveis de Apreciação pela Corte
As evidências
devem satisfazer duas condições:
- Aceitação -
devem estar em conformidade com certas
regras legais;
- Valor –
devem ser claras e convincentes perante a
corte;
As evidências serão
descartadas caso sejam coletadas incorretamente
ou de forma ilegal.
Existem vários
tipos de evidências que podem ser apresentadas à
corte:
- Real – um
objeto que pode ser levado para a corte e
examinado no próprio local;
- Testemunhal
– observações de alguém que estava presente
e pode descrever os fatos perante a corte;
- Documental –
registros que permitam a verificação da
autenticidade do mesmo;
- Parecer de
Especialista – opinião de algum especialista
no assunto ou as conclusões deste
especialista após realizar uma investigação;
- Derivada –
desenhos, vidio, etc,. criados a partir das
evidências primarias de forma a permitir o
entendimento de certas conclusões;
As evidências
geradas por uma ferramenta de IDS enquadram-se
no tipo documental, mas requerem o testemunho da
pessoa responsável pela configuração e coleta
dos dados, de forma complementar um especialista
pode ser solicitado para atestar o conteúdo,
realizar explicações e interpretações. Podemos
também apresentar o tipo derivado, através da
utilização de gráficos, desenhos, etc.
Durante um
processo de crime eletrônico devemos demostrar
as seguintes ações:
- Que um
computador esta envolvido;
- Que o mesmo
foi acessado;
- Que foi um
acesso não autorizado;
- Que a pessoa
que realizou o acesso sabia que o acesso não
era autorizado;
Desta forma uma
ferramenta de IDS é útil no tocante aos dois
primeiros itens.
Outra questão
interessante é que a maioria dos intrusos, senão
todos, utilizam pseudônimos assim torna-se
necessário a ligação do “apelido” utilizado na
rede à identidade real da pessoa.
Fonte:
http://www.absoluta.org/seguranca/seg_ids.htm
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