1. Honeypot
Um
honeypot é um recurso computacional de segurança dedicado a ser
sondado, atacado ou comprometido .
Existem dois tipos de honeypots: os de baixa interatividade e os
de alta interatividade.
1.1. Honeypots
de baixa interatividade
Em
um honeypot de baixa interatividade são instaladas ferramentas
para emular sistemas operacionais e serviços com os quais os
atacantes irão interagir. Desta forma, o sistema operacional
real deste tipo de honeypot deve ser instalado e configurado de
modo seguro, para minimizar o risco de comprometimento.
O
honeyd
é um exemplo de ferramenta utilizada para implementar honeypots
de baixa interatividade.
1.2. Honeypots
de alta interatividade
Nos honeypots de alta interatividade os atacantes interagem com
sistemas operacionais, aplicações e serviços reais.
Exemplos de honeypots de alta interatividade são as honeynets e
as honeynets virtuais .
2. Honeynet
Definição 1: uma Honeynet é uma ferramenta de pesquisa, que
consiste de uma rede projetada especificamente para ser
comprometida, e que contém mecanismos de controle para prevenir
que seja utilizada como base de ataques contra outras redes .
Definição 2: uma Honeynet nada mais é do que um tipo de honeypot.
Especificamente, é um honeypot de alta interatividade, projetado
para pesquisa e obtenção de informações dos invasores. É
conhecido também como "honeypot de pesquisa" .
Uma vez comprometida, a honeynet é utilizada para observar o
comportamento dos invasores, possibilitando análises detalhadas
das ferramentas utilizadas, de suas motivações e das
vulnerabilidades exploradas.
Uma honeynet normalmente contém um segmento de rede com
honeypots de diversos sistemas operacionais e que fornecem
diversas aplicações e serviços. Também contém mecanismos de
contenção robustos, com múltiplos níveis de controle, além de
sistemas para captura e coleta de dados, e para geração de
alertas.
Existem dois tipos de honeynets: as honeynets reais (ou
simplesmente honeynets) e as honeynets virtuais.
2.1. Honeynets
reais
Em
uma honeynet real os dispositivos que a compõem, incluindo os
honeypots, mecanismos de contenção, de alerta e de coleta de
informações, são físicos.
Para exemplificar, uma honeynet real poderia ser composta pelos
seguintes dispositivos:
-
diversos
computadores, um para cada honeypot. Cada honeypot com um
sistema operacional, aplicações e serviços reais instalados;
-
um
computador com um firewall instalado, atuando como mecanismo
de contenção e de coleta de dados;
-
um
computador com um IDS instalado, atuando como mecanismo de
geração de alertas e de coleta de dados;
-
um
computador atuando como repositório dos dados coletados;
-
hubs/switches
e roteador (se necessário) para fornecer a infra-estrutura
de rede da honeynet.
As
vantagens deste tipo são: baixo custo por dispositivo; mais
tolerante a falhas (ambiente é distribuído), e os atacantes
interagem com ambientes reais.
As
principais desvantagens são: manutenção mais difícil e
trabalhosa; necessidade de mais espaço físico para os
equipamentos, e custo total tende a ser mais elevado.
2.2. Honeynets
virtuais
Uma honeynet virtual baseia-se na idéia de ter todos os
componentes de uma honeynet implementados em um número reduzido
de dispositivos físicos. Para isto, normalmente é utilizado um
único computador com um sistema operacional instalado, que serve
de base para a execução de um software de virtualização, como o
VMware
(Virtual Infrastructure Software) ou o
UML
(User Mode Linux) .Os softwares de virtualização permitem
executar diversos sistemas operacionais com aplicações e
serviços instalados, ao mesmo tempo.
As
honeynets virtuais ainda são subdivididas em duas categorias: de
auto-contenção e híbridas. Na primeira, todos os mecanismos,
incluindo contenção, captura e coleta de dados, geração de
alertas e os honeypots (implementados através de um software de
virtualização) estão em um único computador. Na segunda, os
mecanismos de contenção, captura e coleta de dados e geração de
alertas são executados em dispositivos distintos e os honeypots
em um único computador com um software de virtualização.
As
vantagens das honeynets virtuais são: manutenção mais simples;
necessidade de menor espaço físico para os equipamentos, e custo
final tende a ser mais baixo.
As
principais desvantagens são: alto custo por dispositivo, pois
são necessários equipamentos mais robustos; pouco tolerante a
falhas (muitos componentes concentrados em um único ponto); o
software de virtualização pode limitar o hardware e sistemas
operacionais utilizados; o atacante pode obter acesso a outras
partes do sistema, pois tudo compartilha os recursos de um mesmo
dispositivo (no caso da categoria de auto-contenção), e
possibilidade do atacante descobrir que está interagindo com um
ambiente virtual.
3. Abrangência
Um
honeypot/honeynet traz como grande vantagem o fato de ser
implementado de forma que todo o tráfego destinado a ele é, por
definição, anômalo ou malicioso. Portanto é, em teoria, uma
ferramenta de segurança isenta de falso-positivos, que fornece
informações de alto valor e em um volume bem menor do que outras
ferramentas de segurança, como por exemplo um IDS.
A
grande desvantagem é que, diferente de um IDS de rede, por
exemplo, um honeypot/honeynet só é capaz de observar o tráfego
destinado a ele, além de poder introduzir um risco adicional
para a instituição.
É
importante ressaltar que honeypots/honeynets devem ser
utilizados como um complemento para a segurança da rede de uma
instituição e não devem ser encarados como substitutos para:
-
boas
práticas de segurança;
-
políticas de
segurança;
-
sistemas de
gerenciamento de correções de segurança (patches);
-
outras
ferramentas de segurança, como firewall e IDS.
4. Aplicabilidade
O
valor dos honeypots/honeynets baseia-se no fato de que tudo o
que é observado é suspeito e potencialmente malicioso, e sua
aplicação depende do tipo de resultado que se quer alcançar.
Honeypots de baixa interatividade oferecem
baixo risco de comprometimento e são indicados para redes de
produção, quando não há pessoal e/ou hardware disponível para
manter uma honeynet, ou quando o risco de um honeypot de alta
interatividade não é aceitável.
Normalmente, o uso de honeypots de baixa interatividade também
está associado aos seguintes objetivos:
-
detectar
ataques internos;
-
identificar
varreduras e ataques automatizados;
-
identificar
tendências;
-
manter
atacantes afastados de sistemas importantes;
-
coletar
assinaturas de ataques;
-
detectar
máquinas comprometidas ou com problemas de configuração;
-
coletar
código malicioso (malware).
Já
honeypots de alta interatividade são indicados para redes de
pesquisa. Podem ser utilizados para os mesmos propósitos que os
honeypots de baixa interatividade, mas introduzem um alto risco
para instituição, e são justificáveis quando o objetivo é
estudar o comportamento dos invasores, suas motivações, além de
analisar detalhadamente as ferramentas utilizadas e
vulnerabilidades exploradas. É importante lembrar que o uso de
honeypots de alta interatividade demanda tempo, pessoal mais
qualificado e técnicas de contenção eficientes.
Segue uma tabela comparativa que pode auxiliar na decisão sobre
que tipo de honeypot deve ser implementado em uma instituição.
|
Tabela Comparativa
|
|
Características |
Honeypot de baixa
interatividade |
Honeypot de alta
interatividade/Honeynet |
|
Instalação |
fácil |
mais difícil |
|
Manutenção |
fácil |
trabalhosa |
|
Risco de comprometimento |
baixo |
alto |
|
Obtenção de informações |
limitada |
extensiva |
|
Necessidade de mecanismos de
contenção |
não |
sim |
|
Atacante tem acesso ao S.O.
real |
não (em teoria) |
sim |
|
Aplicações e serviços
oferecidos |
emulados |
reais |
|
Atacante pode comprometer o
honeypot |
não (em teoria) |
sim |
|
5. Posicionamento na Rede
Para operar, um honeypot/honeynet necessita de um bloco de
endereçamento IP da instituição, que seja roteável e que não
esteja sendo utilizado. Este bloco deve ser visto como uma rede
isolada ou um novo segmento de rede da instituição. Não deve
fazer parte de qualquer rede ou segmento de rede previamente
sendo utilizado.
É
fortemente recomendado que não haja poluição de dados como, por
exemplo, o administrador do honeypot/honeynet acessando-o via
rede para realizar procedimentos de manutenção, ou realizando
varreduras no bloco de endereçamento IP do honeypot/honeynet
para verificar se os serviços estão realmente funcionando, entre
outros. Caso contrário, pode ser extremamente difícil distinguir
entre os eventos que fazem parte dos procedimentos de
administração e manutenção e os eventos gerados por atividades
maliciosas.
Também é muito importante que não haja qualquer tipo de
filtragem para o bloco de endereçamento IP alocado para o
honeypot/honeynet, pois assim existem mais chances de se
observar técnicas utilizadas pelos atacantes antes
desconhecidas, ataques novos, etc.
Fonte: http://www.cert.br/docs/whitepapers/honeypots-honeynets/
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