Esta
parte da cartilha aborda questões relacionadas à fraudes
na Internet. São apresentadas algumas maneiras de
prevenção contra ataques de engenharia social, situações
envolvendo fraudes comerciais e bancárias via Internet,
bem como medidas preventivas que um usuário deve adotar
ao acessar sites de comércio eletrônico ou Internet
Banking. Também é apresentado o conceito de boato (hoax)
e são discutidas algumas implicações de segurança e
formas para se evitar sua distribuição.
1. Engenharia
Social
Nos ataques de engenharia social normalmente o atacante
frauda a sua identidade, se fazendo passar por outra
pessoa, e utiliza meios como uma ligação telefônica ou
e-mail, para persuadir o usuário a fornecer informações
ou realizar determinadas ações, como por exemplo
executar um programa, acessar a página de Internet
Banking através de um link em um e-mail ou em uma
página, etc.
O conceito de engenharia social, bem como alguns
exemplos deste tipo de ataque podem ser encontrados na
parte I (Conceitos de Segurança) desta Cartilha.
Exemplos específicos destes ataques, envolvendo fraudes
em comércio eletrônico e Internet Banking, são abordados
na seção 2.1.
1.1. Como me protejo
deste tipo de abordagem?
Em casos de engenharia social o bom senso é essencial.
Fique atento para qualquer abordagem, seja via telefone,
seja através de um e-mail, onde uma pessoa (em muitos
casos falando em nome de uma instituição) solicita
informações (principalmente confidenciais) a seu
respeito.
Procure não fornecer muita informação e não forneça, sob
hipótese alguma, informações sensíveis, como senhas ou
números de cartões de crédito.
Nestes casos e nos casos em que receber mensagens,
procurando lhe induzir a executar programas ou clicar em
um link contido em um e-mail ou página Web, é
extremamente importante que você, antes de realizar
qualquer ação, procure identificar e entrar em contato
com a instituição envolvida, para certificar-se sobre o
caso.
2. Fraudes em Comércio Eletrônico e Internet Banking
Normalmente, não é uma tarefa simples atacar e fraudar
dados em um servidor de uma instituição bancária ou
comercial. Então, atacantes têm concentrado seus
esforços na exploração de fragilidades dos usuários,
para realizar fraudes comerciais e bancárias através da
Internet.
Portanto, é muito importante que usuários de Internet
tenham certos cuidados ao acessar sites de comércio
eletrônico ou Internet Banking.
A seção 2.1 discute algumas situações envolvendo fraudes
no acesso a estes sites e a seção 2.2 apresenta alguns
cuidados a serem tomados pelos usuários de Internet.
2.1. Que situações podem ser citadas sobre fraudes
envolvendo comércio eletrônico ou Internet Banking?
Existem diversas situações que vêm sendo utilizadas por
atacantes em fraudes envolvendo o comércio eletrônico e
Internet Banking. A maior parte das situações
apresentadas abaixo, com exceção das situações 3 e 5,
envolvem técnicas de engenharia social.
Situação 1 - o usuário recebe um e-mail ou ligação
telefônica, de um suposto funcionário da instituição que
mantém o site de comércio eletrônico ou de um banco.
Neste e-mail ou ligação telefônica o usuário é
persuadido a fornecer informações sensíveis, como senhas
de acesso ou número de cartões de crédito.
Situação 2 - o usuário recebe um e-mail, cujo remetente
pode ser um suposto funcionário, gerente, ou até mesmo
uma pessoa conhecida, sendo que este e-mail contém um
programa anexado. A mensagem, então, solicita que o
usuário execute o programa para, por exemplo, obter
acesso mais rápido a um site de comércio eletrônico ou
ter acesso a informações mais detalhadas em sua conta
bancária.
Teclas digitadas: um programa pode capturar e armazenar
todas as teclas digitadas pelo usuário, em particular,
aquelas digitadas logo após a entrada em um site de
comércio eletrônico ou de Internet Banking. Deste modo,
o programa pode armazenar e enviar informações sensíveis
(como senhas de acesso ao banco ou números de cartões de
crétido) para um atacante;
Posição do cursor e tela: alguns sites de Internet
Banking têm fornecido um teclado virtual, para evitar
que seus usuários utilizem o teclado convencional e,
assim, aumentar o nível de segurança na realização de
transações bancárias via Web. O fato é que um programa
pode armazenar a posição do cursor e a tela apresentada
no monitor, nos momentos em que o mouse foi clicado.
Estas informações permitem que um atacante, por exemplo,
saiba qual foi a senha de acesso ao banco utilizada pelo
usuário;
Webcam: um programa pode controlar a Webcam do usuário,
direcionando-a para o teclado, no momento em que o
usuário estiver acessando um site de comércio eletrônico
ou de Internet Banking. Deste modo, as imagens coletadas
(incluindo aquelas que contém a digitação de senhas ou
número de cartões de crédito) podem ser enviadas para um
atacante.
Situação 3 - um atacante compromete o servidor de nomes
do provedor do usuário, de modo que todos os acessos a
um site de comércio eletrônico ou Internet Banking são
redirecionados para uma página Web falsificada,
semelhante ao site verdadeiro. Neste caso, um atacante
pode monitorar todas as ações do usuário, incluindo, por
exemplo, a digitação de sua senha bancária ou do número
de seu cartão de crédito. É importante ressaltar que
nesta situação normalmente o usuário deve aceitar um
novo certificado (que não corresponde ao site
verdadeiro) e o endereço mostrado no browser do usuário
poderá ser diferente do endereço correspodente ao site
verdadeiro;
Situação 4 - o usuário pode ser persuadido a acessar um
site de comércio eletrônico ou de Internet Banking,
através de um link recebido por e-mail ou em uma página
de terceiros. Este link pode direcionar o usuário para
uma página Web falsificada, semelhante ao site que o
usuário realmente deseja acessar. A partir daí, um
atacante pode monitorar todas as ações do usuário,
incluindo, por exemplo, a digitação de sua senha
bancária ou do número de seu cartão de crédito. Também é
importante ressaltar que nesta situação normalmente o
usuário deve aceitar um novo certificado (que não
corresponde ao site verdadeiro) e o endereço mostrado no
browser do usuário será diferente do endereço
correspodente ao site verdadeiro;
Situação 5 - o usuário, ao utilizar computadores de
terceiros para acessar sites de comércio eletrônico ou
de Internet Banking, pode ter todas as suas ações
monitoradas (incluindo a digitação de senhas ou número
de cartões de crédito), através de programas
especificamente projetados para este fim (como visto na
situação 2). Apesar de existirem todas estas situações
de risco, também existem alguns cuidados, relativamente
simples, que podem e devem ser seguidos pelos usuários
ao acessarem sites de comércio eletrônico e Internet
Banking, de modo a evitar que fraudadores utilizem seus
dados (principalmente dados sensíveis).
2.2. Quais são os cuidados que devo ter ao acessar sites
de comércio eletrônico ou Internet Banking?
Existem diversos cuidados que um usuário deve ter ao
acessar sites de comércio eletrônico ou Internet Banking.
Dentre eles, podem-se citar:
estar atento e prevenir-se dos ataques de engenharia
social (como visto na seção 1.1);
realizar transações somente em sites de instituições que
você considere confiáveis;
certificar-se de que o endereço apresentado em seu
browser corresponde ao site que você realmente quer
acessar, antes de realizar qualquer ação;
antes de aceitar um novo certificado, verificar junto à
instituição que mantém o site sobre sua emissão e quais
são os dados nele contidos;
procurar sempre digitar em seu browser o endereço
desejado. Não utilize links em páginas de terceiros ou
recebidos por e-mail;
certificar-se que o site faz uso de conexão segura, ou
seja, que os dados transmitidos entre seu browser e o
site serão criptografados e utiliza um tamanho de chave
considerado seguro (vide seção 2.3);
verificar o certificado do site, para assegurar-se que
ele foi emitido para a instituição que se deseja acessar
e está dentro do prazo de validade (vide seção 2.5);
não acessar sites de comércio eletrônico ou Internet
Banking através de computadores de terceiros;
desligar sua Webcam (caso vecê possua alguma), ao
acessar um site de comércio eletrônico ou Internet
Banking.
Além dos cuidados apresentados anteriormente é muito
importante que você tenha alguns cuidados adicionais,
tais como:
manter o seu browser sempre atualizado e com todas as
correções (patches) aplicadas;
alterar a configuração do seu browser para restringir a
execução de Javascript e de programas Java ou ActiveX,
exceto para casos específicos;
configurar seu programa de e-mail para não abrir
arquivos ou executar programas automaticamente;
não executar programas obtidos pela Internet, ou
recebidos por e-mail.
Com estes cuidados adicionais você pode evitar que seu
browser contenha alguma vulnerabilidade, e que programas
maliciosos (como os cavalos de tróia) sejam instalados
em seu computador para, dentre outras finalidades,
fraudar seus acessos a sites de comércio eletrônico ou
Internet Banking. Maiores detalhes sobre estes cuidados
podem ser obtidos na parte II (Riscos Envolvidos no Uso
da Internet e Métodos de Prevenção) desta Cartilha.
2.3. Como verificar se a conexão é criptografada?
Existem dois ítens que podem ser visualizados na janela
do seu browser, e que significam que as informações
transmitidas entre o browser e o site visitado estão
sendo criptografadas.
O primeiro pode ser visualizado no local onde o endereço
do site é digitado. O endereço deve começar com https://
(diferente do http:// nas conexões normais), onde o s
antes do sinal de dois-pontos indica que o endereço em
questão é de um site com conexão segura e, portanto, os
dados serão criptografados antes de serem enviados.
A figura 1 apresenta o primeiro item, indicando uma com
conexão segura, observado nos browsers Netscape e
Internet Explorer, respectivamente.

Figura 1: https - identificando site com conexão segura
O segundo item a ser visualizado corresponde a algum
desenho ou sinal, indicando que a conexão é segura.
Normalmente, o desenho mais adotado nos browsers
recentes é de um "cadeado fechado" (se o cadeado estiver
aberto, a conexão não é segura).

A figura 2 apresenta desenhos dos cadeados fechados,
indicando conexões seguras, observados nos browsers
Netscape e Internet Explorer, respectivamente.
Figura 2: Cadeado -- identificando site com conexão
segura.
Ao clicar sobre o cadeado, será exibida uma tela que
permite verificar as informações referentes ao
certificado emitido para a instituição que mantém o site
(veja seção 2.5), bem como informações sobre o tamanho
da chave utilizada para criptografar os dados.
É muito importante que você verifique se a chave
utilizada para criptografar as informações a serem
transmitidas entre seu browser e o site é de no mínimo
128 bits. Chaves menores podem comprometer a segurança
dos dados a serem transmitidos. Maiores detalhes sobre
criptografia e tamanho de chaves podem ser obtidos na
parte III desta Cartilha: Privacidade.
2.4. Como posso saber se o site que estou acessando
não foi falsificado?
Existem alguns cuidados que um usuário deve ter para
certificar-se que um site não foi falsificado.
O primeiro cuidado é checar se o endereço digitado
permanece inalterado no momento em que o conteúdo do
site é apresentado no browser do usuário. Existem
algumas situações, como visto na seção 2.1, onde o
acesso a um site pode ser redirecionado para uma página
falsificada, mas normalmente nestes casos o endereço
apresentado pelo browser é diferente daquele que o
usuário quer realmente acessar.
E um outro cuidado muito importante é verificar as
informações contidas no certificado emitido para a
instituição que mantém o site. Estas informações podem
dizer se o certificado é ou não legítimo e,
conseqüentemente, se o site é ou não falsificado (vide
seção 2.5).
2.5. Como posso saber se o certificado emitido para o
site é legítimo?
É extremamente importante que o usuário verifique
algumas informações contidas no certificado. Um exemplo
de um certificado, emitido para um site de uma
instituição é mostrado abaixo.
This Certificate belongs to: This Certificate was issued
by:
www.example.org www.examplesign.com/CPS Incorp.by Ref.
Terms of use at LIABILITY LTD.(c)97 ExampleSign
www.examplesign.com/dir (c)00 ExampleSign International
Server CA -
UF Tecno Class 3
Example Associados, Inc. ExampleSign, Inc.
Cidade, Estado, BR
Serial Number:
70:DE:ED:0A:05:20:9C:3D:A0:A2:51:AA:CA:81:95:1A
This Certificate is valid from Thu Sep 05, 2002 to Sat
Sep 06, 2003
Certificate Fingerprint:
92:48:09:A1:70:7A:AF:E1:30:55:EC:15:A3:0C:09:F0
o endereço do site;
o nome da instituição (dona do certificado);
o prazo de validade do certificado.
Ao entrar em um site seguro pela primeira vez, seu
browser irá apresentar uma janela pedindo para confirmar
o recebimento de um novo certificado. Então, verifique
se os dados do certificado correspondem à instituição
que você realmente deseja acessar e se seu browser
reconheceu a autoridade certificadora que emitiu o
certificado1.
Se ao entrar em um site seguro, que você utilize com
frequência, seu browser apresentar uma janela pedindo
para confirmar o recebimento de um novo certificado,
fique atento. Uma situação possível seria que a validade
do certificado do site tenha vencido, ou o certificado
tenha sido revogado por outros motivos, e um novo
certificado foi emitido para o site. Mas isto também
pode significar que você está recebendo um certificado
ilegítimo e, portanto, estará acessando um site
falsificado.
Uma dica para reconhecer esta situação é que além das
informações contidas no certificado normalmente não
corresponderem à instituição que você realmente deseja
acessar, seu browser possivelmente irá informar que a
Autoridade Certificadora que emitiu o certificado para o
site não pôde ser reconhecida.
De qualquer modo, caso você receba um novo certificado
ao acessar um site e tenha alguma dúvida ou
desconfiança, não envie qualquer informação para o site
antes de entrar em contato com a instituição que o
mantém, para esclarecer o ocorrido.
3. Boatos
Boatos (Hoaxes) são e-mails que possuem conteúdos
alarmantes ou falsos, e que geralmente têm como
remetente ou apontam com autor da mensagem alguma
instituição, empresa importante ou órgão governamental.
Através de uma leitura minuciosa deste tipo de e-mail,
normalmente é possível identificar em seu contéudo
mensagens absurdas e muitas vezes sem sentido.
Dentre os diversos boatos típicos, que chegam às caixas
postais de usuários conectados à Internet, podem-se
citar:
correntes ou pirâmides;
pessoas ou crianças que estão prestes a morrer de
câncer;
a República Federativa de algum país oferencendo
elevadas quantias em dinheiro e pedindo a confirmação do
usuário ou, até mesmo, solicitando algum dinheiro para
efetuar a transferência.
Histórias deste tipo são criadas não só para espalhar
desinformação pela Internet, mas também para outros fins
maliciosos.
3.1. Quais são os problemas de segurança relacionados
aos boatos?
Normalmente, o objetivo do criador de um boato é
verificar o quanto ele se propaga pela Internet e por
quanto tempo permanece se propagando. De modo geral, os
boatos não são responsáveis por grandes problemas de
segurança, a não ser ocupar espaço nas caixa de e-mails
de usuários.
Mas podem existir casos com consequências mais sérias
como, por exemplo, um boato que procura induzir usuários
de Internet a fornecer informações importantes (como
números de documentos, de contas-corrente em banco ou de
cartões de crédito), ou um boato que indica uma série de
ações a serem realizadas pelos usuários e que, se forem
realmente efetivadas, podem resultar em danos mais
sérios (como instruções para apagar um arquivo que
supostamente contém um vírus, mas que na verdade é parte
importante do sistema operacional instalado no
computador).
Além disso, e-mails de boatos podem conter vírus ou
cavalos de tróia anexados. Maiores detalhes sobre vírus
e cavalos de tróia podem ser encontrados nas partes I
(Conceitos de Segurança) e II (Riscos Envolvidos no Uso
da Internet e Métodos de Prevenção) desta Cartilha.
É importante ressaltar que um boato também pode
comprometer a credibilidade e a reputação tanto da
pessoa ou entidade referenciada como suposta criadora do
boato, quanto daqueles que o repassam.
3.2. Como evitar a distribuição dos boatos?
Normalmente, os boatos se propagam pela boa vontade e
solidariedade de quem os recebe. Isto ocorre, muitas
vezes, porque aqueles que o recebem:
confiam no rementente da mensagem;
não verificam a procedência da mensagem;
não checam a veracidade do conteúdo da mensagem.
Para que você possa evitar a distribuição de boatos é
muito importante checar a procedência dos e-mails, e
mesmo que tenham como rementente alguém conhecido, é
preciso certificar-se que a mensagem não é um boato
(veja seção 3.3).
É importante ressaltar que você nunca deve repassar este
tipo de mensagem, pois estará endossando ou concordando
com o seu conteúdo.
3.3. Como posso
saber se um e-mail é um boato?
Existem sites, como o HoaxBusters.ciac.org, onde
podem-se encontrar listas contendo os boatos que estão
circulando pela Internet e seus respectivos conteúdos.
Além disso, os cadernos de informática dos jornais de
grande circulação, normalmente, trazem matérias ou
avisos sobre os boatos mais recentes.
Fonte:
http://www.terra.com.br/informatica/especial/cartilha/fraudes_1.htm
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