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Descubra todo o
potencial do gerenciamento de processos de negócio, algo que tem
uma aplicação muito forte em governo, mas também interessa a
qualquer tipo de organização.
Nos últimos
artigos (veja no box ao lado), incluindo o excelente comentário
de um leitor, procurei destacar o potencial da gestão por
processos e a contribuição da tecnologia de BPM (Business
Process Management) para os projetos de governo eletrônico.
Chegou a hora
de engatar a primeira e explicar melhor... Para tanto, peço
licença para me afastar um pouco de aspectos organizacionais,
sociais e políticos. Estou me segurando, pois tenho comichão de
entrar em aspectos de gestão do conhecimento e capital
intelectual em governo. Mas é importante pavimentar o caminho
com alguns conceitos técnicos, e BPM é algo fundamental. Hoje,
portanto, a fala é um pouco mais tecnológica.
Assim sendo,
nada melhor do que definirmos antes a nomenclatura, evitando
ruídos: usarei, buscando maior fluidez da linguagem, o termo
“workflow” para designar os softwares de workflow, enquanto o
termo BPM será colocado para designar os softwares da categoria
BPMS (Business Process Management Systems).
Dito isso, vale
lembrar que portais são apenas um componente de programas de
e-gov, embora um componente muito importante. Como outros
colunistas vêm destacando, os portais de última geração
caracterizam-se, entre outras coisas, por oferecerem o acesso
aos processos. Isso vale tanto para processos
intraorganizacionais quanto para processos interorganizacionais.
Vamos refletir: processos interorganizacionais só podem ser
tratados, via TI, se houver integração com os sistemas internos
de cada uma das organizações envolvidas. E todos conhecemos as
dificuldades que existem para integrar sistemas até mesmo dentro
de uma mesma organização... Haja vista a Segurança Pública. E
aí, como fazer? O desafio é grande e o BPM pode ser um grande
aliado para vencê-lo.
Afinal, estamos
falando da tecnologia essencial para que se possa oferecer nos
portais aquilo que mais fideliza os usuários: o ambiente de
trabalho virtual, que passará a predominar sobre o ambiente
físico tradicional. Em futuro próximo, todos nós encontraremos
mais no portal do que no escritório. Mas, para que isso
aconteça, é preciso que não haja outro jeito de fazer até mesmo
a marcação do cartão de ponto, a não ser através do portal.
Quando até esses processos triviais estiverem no meio digital,
passaremos a freqüentar o portal da mesma forma que precisávamos
freqüentar o armário com talonário de autorização de horas
extras. E, para que todos os processos estejam no portal, o BPM
é imprescindível, pois sem ele os custos de modelagem e
programação de sistemas para integração tornam-se proibitivos.
O BPM
origina-se dos antigos sistemas de workflow. Antigos? Sim,
existem desde o finzinho da década de 80 (15 anos é muito tempo
quando o cronômetro utilizado é o da era do conhecimento, não?).
A tradução do nome explica o que eles faziam/fazem: “fluxo de
trabalho”. Eles transportam tarefas numa cadeia seqüencial de
executores. Alguns incluíam também alertas de vencimento de
prazo. Outros, mais refinados, transportavam documentos
previamente digitalizados. Dessa forma, reduziam muito os
retardamentos provocados pelo fluxo do binômio “boy”+papel.
Também permitiam suprimir alguns tipos de documentos, pois
trouxeram a inovação dos formulários eletrônicos, nos quais os
dados são transportados separados do seu layout ou template. Em
muitas situações, até mesmo o documento digital pode ser
suprimido, com vantagens.
Em geral, esses
sistemas eram proprietários e, conseqüentemente, tinham pouca ou
nenhuma comunicação com os demais sistemas da organização. Com a
evolução das arquiteturas abertas, orientadas a objeto, isso
mudou - e surgiram as condições para o BPM.
Para ficar bem
claro, vamos agora nos limitar a falar de suas características,
deixando para o próximo artigo um aprofundamento.
AUTOMAÇÃO DO
FLUXO DE TRABALHO
Essa era a base
do antigo workflow. O BPM deve permitir que as pessoas recebam
suas tarefas em caixas de entrada semelhantes às do correio
eletrônico, e possam recebê-las com as instruções
correspondentes e os links para os documentos que precisem
consultar para a execução dessas tarefas. Acaba, com isso, a
necessidade de levantar da mesa e ir em busca de um documento
que está arquivado não sabemos onde.
MODELAGEM
GRÁFICA DOS PROCESSOS
O BPM permite
representar graficamente todos os tipos de fluxos, desvios e
trâmites, incluindo laços paralelos, junções de documentos,
separação de documentos para que possam fluir por canais
independentes etc. O conhecimento sobre essa variedade de tipos
de fluxos está hoje muito amadurecido, graças à sistematização e
padronização promovida pela Workflow Management Coalition (WfMC).
Cada ferramenta
de workflow, entretanto, usava a sua própria notação gráfica.
Isso está mudando, e os padrões de notação desenvolvidos pela
Business Process Management
Initiative tendem a ser adotados por todas as ferramentas
de BPM, facilitando muito a nossa vida.
INTEGRAÇÃO
PONTA-A-PONTA
Processos
envolvem tarefas humanas e operações automatizadas. Os antigos
workflows não incluíam as operações executadas por sistemas
aplicativos fora deles. De lá para cá, houve uma evolução
significativa nas tecnologias de integração de sistemas
(middleware, servidores de aplicações, e tudo o que se
compreende hoje no conceito de EAI - Enterprise
Application Integration ). Aliás, de certa forma, o BPM adiciona
aos antigos workflows a tecnologia de EAI.
Com isso, o BPM
faz, além do que faziam os workflows, transferindo dados para
sistemas que possam executar tarefas de forma automática e
capturando de volta os resultados, para que a transação continue
através das pessoas. Isso é especialmente importante para
processos interorganizacionais comuns em governo, pois muitos
serviços prestados pelos órgãos públicos envolvem diversas
instâncias verticais e horizontais (um atendimento numa unidade
básica de saúde municipal pelo SUS envolve, por exemplo, os
níveis estadual e federal também).
Aliás, uma das
iniciativas mais importantes no programa de governo eletrônico
do Governo Federal é relacionada com essa questão, e será
explorada em outro artigo: é a arquitetura
e-PING
(Padrões de Interoperabilidade
do Governo Eletrônico).
FLEXIBILIDADE
DE ALTERAÇÃO DAS REGRAS DE NEGÓCIO DE FORMA INTUITIVA
Aí o bicho pega
nos sistemas tradicionais, e o surgimento do BPM se deu, não por
acaso, a partir da onda de implantação dos sistemas integrados
de gestão (ERP’s) nas grandes empresas privadas, no finzinho da
década passada (estão nesta categoria produtos como SAP,
Peoplesoft e seus similares nacionais Microsiga, Datasul etc.).
Os ERP’s contêm uma infinidade de regras, cuja alteração é
custosa e demorada, requerendo pessoal especializado, de TI.
Já os BPM’s
extraem para fora dos ERP’s a administração dessas regras e
permitem aos analistas de processo fazerem alterações sem
alterar a programação (exemplo de regra: se o código da doença
for x, o ministro da saúde deve ser notificado imediatamente).
Fonte:http://www.intranetportal.com.br/e-gov/eg_4
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