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Por Paulo Vianna *

As leis não ferem,
não oprimem e não oneram quem as redige
No extraordinário projeto da Nota Fiscal
Eletrônica, exemplo de modernidade da Receita Federal, que visa ao combate
à fraude e à sonegação fiscal, além de vários outros benefícios, alguns
conceitos merecem uma análise mais detalhada. Um deles, presente no cerne
do projeto, é de que as notas fiscais eletrônicas (na verdade, pequenos
arquivos em formato XML) deverão ser assinadas digitalmente por todas as
empresas participantes do projeto.
Conceitualmente, isto atende aos princípios das melhores práticas de
segurança, pois exige que todas as informações enviadas pelas empresas
devem garantir, a priori, terem sido geradas por quem de direito
(autoria), e que seu conteúdo não foi alterado, garantindo assim a lisura
e o respaldo legal do documento enviado. É para isso mesmo que a
Certificação Digital está aí.
Conforme o projeto, os documentos XML assim assinados são enviados à
secretaria da fazenda do Estado onde se origina a transação, que os
reconhece como legítimos, sendo devidamente autorizados para que, aí sim,
a NFe siga seu curso. Perfeito? Nem tanto.
É curioso que se exija assinatura digital apenas do emitente na Nota
Fiscal Eletrônica, e não do Estado — ou da SEFAZ correspondente. No mundo
convencional, tradicional, feito de papéis e pessoas não digitais, o
cenário equivale ao do fiscal que bate à porta da empresa exigindo que ela
comprove sua regularidade fiscal sem se identificar, ele mesmo, como
agente do Governo, fiscal com direito de fiscalizar e autuar.
Ora, se fraudes e sonegação são viáveis, e podem acontecer do lado do
contribuinte, elas também são viáveis e podem ocorrer do lado do Governo.
Não se deve inferir que só pelo fato de a autorização nos chegar pela rede
da Secretaria de Fazenda (seja de que Estado for), que ela seja por si só,
tal virgem vestal, imaculada, e portanto, isenta de suspeição e de
necessidade de comprovação de identidade. Dados e bits são dados e bits.
Num mundo real, cá entre nós, é até mais difícil fingir ser um fiscal, do
que no mundo digital.
Uma rotina de programação teria bastado para que o fisco eletrônico,
protagonizado pela SEFAZ, se identificasse na rede com um mero certificado
digital, aliás uma exigência básica de qualquer projeto de integração que
se pretenda moderno, inteligente e seguro.
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Paulo Vianna é jornalista de profissão,
mas manteve seu lado técnico sempre ativo. Foi Coordenador Técnico da
rede de computadores do Centro de Filosofia e Ciências Humanas, da UFRJ,
repórter-colaborador do jornal "O Globo", Ediouro (Internet.br e
Internet Business), IBest Marketing, IDG Computerworld do Brasil, ZDNet,
Jornal do Brasil (Revista INFO). Editor das revistas "Explore" e "Xerox
Print News" (Xerox do Brasil), colunista do GuiaSP até assumir a
diretoria de tecnologia da extinta Aladdin Brasil. Há seis anos,
gerencia atividades comerciais na área de segurança, com ênfase em
hardwares criptográficos e soluções de certificação digital, primeiro na
Rainbow, e mais tarde na SafeNet Brasil, onde hoje coordena as vendas e
o marketing para a região Sul e e atualmente Diretor de Alianças da
ABRASINFO .
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