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:: Por José Paulino Neto *

Informação : um bem social


Para Gregory Bateson, ela é a diferença que faz a diferença.

Para Paul Virilio , ela é a terceira dimensão da matéria (massa e energia são as outras).

Para Gilbert Simondon, ela é uma aptidão integradora, uma singularidade através da qual uma energia até então potencial se atualiza.

Fiel a sua formação tecnológica , o executivo brasileiro Fábio Leto concorda com tudo isso, mas além dessa mesma formação, Leto acredita que ela tem uma dimensão cívica, política e social da maior relevância.

Ela, ela, ela - quem?

A informação.

Com longa militância no mercado da informática, em diversos segmentos, Leto viu chegar o momento de passar da informática à informação. Ou, se quiser da técnica para a cidadania. Assim, nasceu a ABRASINFO - Associação Brasileira de Segurança da Informação http://www.abrasinfo.org , entidade fundada por Leto e que conta com a participação de diversos profissionais das áreas tecnológica, jurídica,  comunicação,  jornalismo e da educação.

A Abrasinfo, segundo Leto, nasceu de uma preocupação simples: a informação já está caracterizada pelo que Mark Dery, chamou de "velocidade de escape", situação em que um corpo vence a atração gravitacional de outro corpo. Em outras palavras, a informação parece que adquiriu vida própria e passou a não ter mais "responsabilidade" em relação a nada, exceto a sí própria.

A Abrasinfo concebida por Fabio Leto foi pensada de maneira diametralmente oposta. A Associação acredita que a informação - em que pesem todas as características acima descritas, ou mesmo em função delas - precisa ser tratada e trabalhada como um bem de interesse social.

Não por acaso, a primeira atuação da Abrasinfo é um projeto de inclusão digital lançado em setembro ultimo , na cidade digital de Brasília denominado IDA - Inclusão Digital segurA. Mas, observa Fabio Leto, "não se trata apenas de inclusão digital, vamos trabalhar com a inclusão orientando como as pessoas vão trabalhar todo o tipo de informação". Sim, informação que não tem apenas a cara de bites e bytes, informação digital ou digitalizada. Um extrato de conta corrente imprudente amassado e jogado no lixo sem ter sido picotado não é um simples papel, mas informação; um extrato de cartão de crédito, idem. E, como esses, são muitos os exemplos de como a informação, um bem social, acaba sendo indevidamente socializada.

A vertiginosa velocidade de propagação da informação acabou criando, entre outras, uma expressão muito incomoda : o fosso digital, o gap entre os incluídos e os excluídos digitais. Mas, para a Abrasinfo, o buraco é mais embaixo. As ferramentas digitais não criaram essa distância - apenas fizeram que ela se acentuasse. Para a Abrasinfo a grande questão é o que em economia se conhece como assimetria da informação, independente de ser ela digital ou analógica. Se esse é o problema, é neste sentido que a Abrasinfo foca sua atuação. Por isso, diz Leto " é necessário fazer um trabalho de educação e conscientização do chamado elo mais fraco, o usuário comum, que na realidade antes de ser um usuário e apenas um ser humano e deve sempre ser tratado de forma prioritária como um ser humano".

Para tentar dar conta - tanto quanto possível - do universo da segurança da informação, a Abrasinfo estruturou-se com quatro braços de atuação: Acadêmico, jurídico, social e parcerias & canais.

Com sede própria em Brasília e escritórios em São Paulo e Belo Horizonte, A Abrasinfo pretende atual em todos os estados do Brasil com pelo menos um representante.
 

 

* José Paulino Neto é jornalista, publicitário e roteirista. Foi um dos fundadores da agência interativa Cyberlab e atualmente é Diretor Editorial da Elap Conteúdo e Comunicação.