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Blu-ray e HD-DVD

Blu-ray e HD-DVD:
entenda as diferenças e veja se vale investir
Após dois anos de
especulações sobre o "novo" padrão de DVD, finalmente o consumidor
brasileiro pode começar a pensar em investir em cinema caseiro de alta
definição. As fabricantes anunciaram oficialmente os produtos voltados
ao Blu-ray e HD-DVD, que são os formatos concorrentes que tendem a
substituir o atual DVD em um futuro não muito distante, mas que ninguém
ainda arrisca dizer quando.
A grande questão é se vale a pena comprar um aparelho novo.
Nomenclaturas técnicas à parte, quais são as diferenças práticas entre
um formato e outro? O ganho de qualidade é mesmo superior ao atual DVD?
Vamos tentar entender um pouco. Afinal, falamos de um investimento médio
de R$ 3.000, mais do que valem muitos computadores potentes de hoje.
De onde surgiu o nome de batismo desses dois formatos? Simples. O "HD"
de HD-DVD significa apenas High Definition. E o Blu-ray (que no início
era chamado de Blue-ray) é porque o feixe de laser para ler e gravar os
dados tem coloração azul (blue). No DVD convencional, o laser é
vermelho.
Formatos diferentes
A principal diferença entre os formatos é a capacidade de armazenamento,
com vantagem para o Blu-ray, que armazena 25 GB em discos de uma camada
(50 GB em duas camadas), contra 15 GB do HD-DVD de uma camada (30 GB em
duas camadas). Por conta do maior espaço disponível, setores da
indústria acreditam que o Blu-ray tenha preferência maior em aplicações
de informática (software, games, backup) em contrapartida aos filmes.
As capacidades diferentes ocorrem por conta da diferença no método de
gravação dos dados. Mas as diferenças técnicas entre os dois formatos
quase não existem. O HD-DVD tem como empresa líder a Toshiba, com
suporte da Microsoft, Sanyo, NEC e estúdios de Hollywood como New Line e
Universal. O Blu-ray, da Sony, tem parcerias com Apple, Panasonic,
Philips, Samsung, Sharp e outros estúdios de cinema.
No final das contas, toda essa briga entre Blu-ray e HD-DVD só interessa
às fabricantes, e não ao consumidor. Ao adquirir um determinado produto,
você poderá em breve se deparar com um aparelho obsoleto e sem suporte.
É uma aposta.
Aos poucos, chegam ao mercado internacional aparelhos que reproduzem
ambos os formatos, mas o preço ainda está além da realidade da maioria
dos consumidores. Mesmo assim, fica a pergunta: qual o sentido de um
aparelho para dois formatos se, talvez, um deles não sobreviva?
As fabricantes não se importam. Os primeiros notebooks com drives HD-DVD
e Blu-ray já começaram a ser vendidos. No Brasil, Sony e Toshiba também
iniciaram as vendas dos aparelhos —apesar de quase não haver títulos
disponíveis no mercado local. O trunfo para o consumidor é a vantagem da
alta definição. Mas será que é verdade? Confira a reportagem e descubra.
Alta definição depende da mídia, mas
também da TV
Quem hoje compra um player
HD-DVD ou Blu-ray pode chegar em casa e se deparar com imagens
praticamente idênticas ao DVD atual. O resultado: decepção generalizada.
Em determinadas situações, a tal da alta definição pode até distorcer um
pouco a imagem e fazer você ter a impressão de que está diante de um
produto inferior.
A explicação é simples. Blu-ray e HD-DVD são apenas meios físicos para
armazenar o conteúdo em alta definição. Os aparelhos que reproduzem os
discos são os responsáveis por decodificar a informação e mostrá-la. E
onde as imagens são exibidas? Na televisão. Ou seja, uma imagem em alta
definição exibida em uma televisão convencional, será sempre em baixa
resolução para seus olhos. No caso, a "baixa" resolução significa a
mesma qualidade que você estava acostumado antes.
Para ter uma idéia da sinuca de bico, basta lembrar que os DVDs atuais
que você aluga na locadora da esquina têm, desde sempre, uma definição
maior do que a maioria das pessoas pode ver na televisão de casa. O DVD
atual só exibe sua total e melhor definição, de forma perceptível, em
televisores melhores, como plasma e LCD de boa qualidade. Só que o mesmo
não vale para os filmes em Blu-ray ou HD-DVD.
Por ter uma capacidade de definição ainda maior, os filmes em HD-DVD e
Blu-ray exigem televisores ainda melhores. E a maioria dos aparelhos de
plasma e LCD vendidos no mercado brasileiro não são preparados para alta
definição, são apenas os chamados definição padrão (Standard),
superiores aos modelos de tubo (CRT), mas longe da alta definição
exigida pelos novos padrões de DVD. O problema é que, como sempre, as
lojas quase nunca avisam ao consumidor que ele está torrando R$ 5.000 em
um modelo de plasma que não é de alta definição. Aquelas imagens super
coloridas e com super contraste que ficam à mostra iludem de verdade.
Logo, se você é fanático por filmes e quer mesmo o melhor que a
tecnologia pode lhe oferecer, é preciso calcular o investimento não
apenas no meio de armazenamento (Blu-ray ou HD-DVD), mas sobretudo no
meio de projeção. E não esqueça do áudio, é claro. Afinal, assistir
Matrix em alta definição com aquelas caixinhas de som pequenas também
não vai ajudar muito.
Quase a totalidade dos modelos de plasma vendidos hoje no Brasil
—principalmente esses em promoção, que tiveram preços reduzidos— não são
preparados para alta definição e, ainda por cima, usam tecnologias
antigas para reproduzir a imagem. Muita gente está trocando gato por
lebre e não sabe. Uma saída é exibir os filmes HD-DVD e Blu-ray a partir
de um projetor de alta qualidade que, a depender do modelo, pode ser
mais barato e útil do que uma televisão LCD ou plasma de alta definição.
Para entender um pouco melhor as diferenças, leia esta matéria. E para
saber mais sobre os aspectos técnicos do CRT e LCD, vale a pena ler isto
aqui.
Entenda a compressão de
áudio e vídeo no Blu-ray e no HD-DVD
Blu-ray e HD-DVD armazenam
filmes no formato MPEG-2 (o mesmo do atual DVD), VC-1 e H.264. Estes
dois últimos conseguem reproduzir imagens melhores com um nível de
compressão maior e, na prática, são os fatores que tornam o formato
superior para filmes.
O VC-1 é a versão aprimorada de um código desenvolvido pela Microsoft no
Windows Media e é o padrão original de armazenamento para Blu-ray e
HD-DVD. Já o H.264 é bem conhecido dos entusiastas de vídeo digital, é
um formato com taxa de compressão altíssima e que nasceu do MPEG-4, que
foi a base do padrão DivX nos primórdios dos filmes piratas baixados
pela Internet. De uma certa forma, podemos dizer que o H.264 nada mais é
do que a evolução real do MPEG-4, que por sua vez já era uma evolução
considerável frente ao MPEG-2 dos DVDs atuais.
No quesito áudio, a história é outra. Apesar de similares, o Blu-ray
permite que o áudio digital no formato AC-3 (o mesmo dos DVDs atuais)
use compressão de 640 kbps, que é maior do que o limite de 448 kbps do
HD-DVD. O resultado é mais qualidade do som, mas que uma ínfima
porcentagem das pessoas vai perceber. A diferença é percebida apenas em
equipamentos (caixas de som) adequados e com o volume alto.
No quesito resolução de imagem, o DVD comum reproduz a imagem em máximo
de 720×480 ou 720×576, que já é bem mais do que as televisões
convencionais suportam. Blu-ray e HD-DVD têm resolução máxima de
1920×1080, ou seja, o dobro. Essa resolução de 1920x1080 é o alicerce da
chamada alta definição completa, mas a partir de 1280x720 a indústria já
considera como alta definição. Abaixo disso, não é alta definição. E a
maioria das TVs de plasma vendidas no Brasil não passam de 800x600 em
média. Somente agora é que modelos mais novos (e bem mais caros) de
plasma estão se aproximando de 1280x720 de resolução.
Toda essa confusão de siglas e letras implica em apenas duas coisas:
Blu-ray e HD-DVD oferecem áudio e vídeo digitais com melhor qualidade e
nitidez. Se você será capaz de observar a diferença, aí é outra
história...
Público ainda
subutiliza o próprio DVD, dizem analistas
A maioria dos analistas da
indústria é unânime ao dizer que, ainda hoje, a maioria das pessoas não
conhece o poder do próprio DVD, este que a gente compra no supermercado
ou pega na locadora. A maior parte do público usa o DVD ligado a uma
televisão comum de 14 ou 20 polegadas, subutilizando as vantagens do
padrão digital.
Primeiro, porque a versão original e de melhor qualidade dos filmes são
gravados no formato widescreen (16:9), e não no formato "quadrado" (4:3)
das televisões convencionais. Os DVDs em tela-cheia, ou seja, sem
aquelas tarjas pretas, são filmes redimensionados e que perdem em
qualidade e proporção de imagem. Ao mesmo tempo, o DVD atual pode
apresentar uma resolução ainda melhor —e visível aos seus olhos— quando
usados em televisões de plasma e LCD.
O uso de cabos adequados também é, geralmente, deixado de lado pelo
consumidor. Há televisões que não possuem entrada para cabos digitais,
porém, mesmo em aparelhos mais recentes nos quais há essa possibilidade,
muita gente não sabe ou não é orientada pelo vendedor do produto.
Outra questão é a quantidade de conteúdo disponível no DVD, bem inferior
ao HD-DVD e Blu-ray. A grande dúvida do mercado, para a qual ninguém
ainda se prontificou a dar uma resposta convincente, é simples: o que os
estúdios de Hollywood vão incluir em tantos gigabytes disponíveis nos
discos da nova geração?
O DVD atual, de camada simples, comporta até 4,7 GB de dados. É o
suficiente para um filme inteiro e vários extras, mesmo usando uma
codificação antiga (o MPEG-2). Com o HD-DVD/Blu-ray, são até 50 GB
disponíveis, e isso usando uma codificação ainda melhor, com taxas de
compressão maiores. O que acontece, hoje, é que boa parte dos poucos
filmes disponíveis no mercado subutilizam a capacidade de ambos os novos
padrões. E ninguém espera que Hollywood comece a fazer filmes com seis
horas de duração só por causa disso.
Informática é grande
nicho para sucessores do DVD, mas preço não ajuda
Para filmes, os formatos
Blu-ray e HD-DVD ainda têm um longo caminho a percorrer até mostrar, de
fato, que valem a pena o investimento. Por outro lado, para usuários de
informática, o avanço é considerável, principalmente para o Blu-ray. Os
gravadores desses novos formatos já estão no mercado, e você terá em
mãos uma poderosa ferramenta de backup e armazenamento de dados.
Em um simples disco dupla-camada de Blu-ray, são 50 GB disponíveis. Para
ter uma idéia, jogos recentes como Neverwinter Nights 2 ocupam nada
menos do que 10 GB em dois discos DVD. O RPG online Guid Wars, que pode
ser baixado completo da Internet, atualmente ocupa 10 GB de espaço. Com
Blu-ray ou HD-DVD, a perpsectiva para jogos e aplicativos
tridimensionais é excelente.
Outra vantagem é que os gravadores não exigem nenhuma mudança de
equipamento no seu computador atual. São drives comuns, iguais aos
gravadores de DVD de hoje. São ligados pela IDE com cabos simples e
exigem apenas 256 MB de memória RAM (512 MB recomendados) para o
processo de gravação, além de um processador de 800 MHz ou superior. E
eles também gravam formatos antigos: CD-R, CDRW, DVD-R, DVDRW etc.
Preços dos discos
Mesmo novidades, os gravadores de Blu-ray e HD-DVD já têm preços
competitivos no mercado internacional. Obviamente, eles são mais caros
no Brasil. Um drive da Sony para gravar Blu-ray no computador custa R$ 2
mil no mercado internacional, em média. No Brasil, o preço aumenta cerca
de 50% por causa de impostos. O engraçado é que, no Brasil, apenas o
aparelho reprodutor dos discos custa quase R$ 3.000. Neste ponto, o
HD-DVD é uma opção mais barata, tanto para os aparelhos como para os
discos.
Apesar das maravilhas e do preço competitivo no mercado internacional,
Blu-ray e HD-DVD esbarram em uma desvantagem enorme: o preço unitário
dos discos. Um disco Blu-ray virgem para gravação/regravação custa R$
100. O disco HD-DVD é apenas um pouco mais barato, na faixa de R$ 80. É
um fator que ainda inviabiliza a adoção em larga escala.
Como a briga das fabricantes entre os dois formatos ainda deve perdurar,
não há luz no fim do túnel para que o valor dos discos caia
consideravelmente e em breve. Enquanto isso, hoje você encontra DVDs
virgens genéricos (sem marca) por R$ 2 na maioria das lojas do shopping
ou no mercado. Mídias de marca, é possível encontrá-las por cerca de R$
4.
Briga de formatos de
mídia é incerta, mas história é longa
Quem vai sobreviver, Blu-ray
ou HD-DVD? Nesta briga entre fabricantes, não é o melhor que sobrevive,
mas aquele que conseguir convencer a maior quantidade de empresas e
estúdios a adotarem seu padrão.
Ambos têm suporte dos estúdios de Hollywood, mas o Blu-ray tem a
vantagem de oferecer mais capacidade e de ser o carro-chefe do
Playstation 3, videogame de última geração da Sony. O Playstation 3 se
transforma não apenas em videogame, mas também em um player de Blu-ray
igual aos aparelhos stand-alone que as lojas vendem. É quase um produto
com dupla finalidade e por um preço mais em conta. O problema é que,
mundialmente, o Playstation 3 está vendendo muito pouco. Enquanto isso,
a Microsoft acaba de anunciar um drive HD-DVD externo para o Xbox 360,
videogame da empresa e concorrente direto do Playstation 3.
Muita gente talvez não se lembre —talvez porque não era nascido na
época—, mas essa briga de formatos já virou novela. Basta relembrar a
clássica época em que as fitas VHS disputavam mercado com o Betamax, no
final dos anos 70 e até meados dos anos 80. O curioso é que o Betamax
foi desenvolvido pela Sony e chegou primeiro ao mercado, enquanto o VHS,
criado pela JVC, chegou um ano depois, em 1976.
Há farta literatura na Internet sobre a briga entre VHS e Betamax,
inclusive sobre as qualidades e defeitos de cada um, com teses de que o
VHS sobreviveu por uma questão mercadológica, pois o Betamax era
superior tecnicamente. Há controvérsias, mas o fato é que o Betamax era
um formato proprietário da Sony, enquanto o VHS permitia que as
fabricantes oferecessem produtos diferentes, o que acirrou a competição
e ofereceu maior portabilidade.
Durante quase toda a década de 80, a Sony seguiu com o desenvolvimento
do Betamax, apesar da predominância do VHS no mercado. Apenas em 1988 o
formato foi aposentado pela fabricante, que passou a vender aparelhos
VHS.
Há diversas outras brigas de formatos na história da indústria de
entretenimento. Em comum, apenas um fator: o consumidor sempre foi o
mais prejudicado, pois em várias situações viu um alto investimento se
perder. Nos anos 90, tivemos a introdução dos mini-discs (MD) da Sony
contra o DCC (cassetes digitais) da Phillips. Hoje, ambos aposentados na
prática —no Brasil, nem chegaram a se popularizar. Temos também o
DVD-Audio contra o Super Audio-CD, além dos formatos diferentes para
gravar DVD —o DVD+R e DVD-R, que hoje existem em "harmonia" e não
chegaram a prejudicar tanto o bolso de quem investiu em gravadores.
Sucessores do DVD
retomam discussão sobre pirataria
Copiar um DVD hoje em dia é
mais fácil que tirar um doce de criança. Pelo computador, softwares
grátis fazem todo o processo e quebram as travas digitais de proteção
mais comuns. Com o Blu-ray e o HD-DVD, a aposta da indústria e dos
estúdios era tentar acabar com essa facilidade ou, ao menos, dificultar
a cópia de conteúdo.
Até o momento, o Blu-ray está em vantagem, ao menos para a indústria. O
HD-DVD já teve a proteção quebrada e softwares fazem o serviço,
inclusive, permitindo re-compressões e cópias diretas.
Em fevereiro, um hacker alegou ter quebrado a proteção anticópias usadas
em ambos os formatos. Dois meses antes, no final de 2006, outro hacker
divulgou em um fórum um programa que conseguia burlar a tecnologia de
proteção de dados do HD-DVD.
Recentemente, estúdios de Hollywood declararam opção pelo Blu-ray no
lugar do HD-DVD para o lançamento de novos filmes, colocando os
engenheiros da Toshiba na berlinda. Se a tendência continuará, só o
tempo poderá dizer.
Fonte:
http://tecnologia.uol.com.br/ultnot/2007/03/02/ult4213u43.jhtm
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